Paraisópolis, São Paulo quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Olhar de Marca

Uma tendência para 2026: menos previsão, mais leitura de contexto

Todo fim de ano traz a tentação de previsões fáceis. Listas do que “vai bombar”, tecnologias que “vão dominar” e comportamentos que “vão desaparecer”. Mas a experiência mostra que o futuro raramente se revela em rupturas súbitas. Ele se constrói, quase sempre, a partir de sinais já visíveis no presente. Para 2026, mais do que prever, o desafio das marcas será interpretar o contexto com profundidade e agir com consistência. 

O próximo ano se desenha especialmente intenso para o Brasil. Copa do Mundo, eleições presidenciais e estaduais, além de uma agenda robusta de eventos culturais, musicais e esportivos, criam um ambiente de alta exposição emocional, conversacional e simbólica. Esse tipo de cenário aumenta a sensibilidade das pessoas à forma como marcas se posicionam, mas neste caso oportunidade e risco caminham juntos.

Dados recentes da Data-Makers ajudam a dimensionar esse movimento: 71% dos brasileiros afirmam intenção de consumir mais produtos e serviços durante o período da Copa do Mundo. Alimentação fora do lar e lazer despontam como vetores claros de crescimento, com impacto direto em bares, restaurantes e experiências presenciais. Ao mesmo tempo, o calendário eleitoral tende a introduzir um componente de cautela no mercado, afetando decisões de investimento e trazendo maior volatilidade para indicadores como câmbio, mercado acionário e preços. Para o marketing, isso significa planejar com elasticidade e comunicar com inteligência contextual.

Esses eventos não afetam apenas o volume de vendas. Eles moldam o imaginário coletivo, influenciam conversas cotidianas e redefinem expectativas sobre o papel das marcas na sociedade. Em um ambiente de atenção fragmentada e excesso de estímulos, relevância cultural deixa de ser vantagem competitiva e passa a ser condição básica para existir.

Paralelamente, o avanço da IA generativa em atendimento ao consumidor, criação de conteúdo e automação não aponta apenas para ganhos de eficiência, mas para uma mudança estrutural na forma como marcas escalam personalização, consistência e velocidade. A campanha de Black Friday da JOVI é um exemplo concreto dessa transformação. Desenvolvida integralmente com o apoio de inteligência artificial, a ação apostou em uma estética cinematográfica inspirada no gênero terror para explorar um medo genuinamente brasileiro: ficar sem bateria fora de casa. O uso da tecnologia não foi o fim, mas o meio para traduzir uma necessidade real do consumidor em narrativa relevante, memorável e eficaz.

Quando falamos de futuro, também não podemos deixar de citar a creator economy, que entra em um estágio mais maduro e orientado a resultado. Alcance e engajamento continuam relevantes, mas já não são suficientes. Cresce a pressão por métricas ligadas a impacto real em vendas e conversão. Nesse contexto, formatos como live commerce, social commerce e programas de afiliados tendem a ganhar ainda mais espaço em 2026, reposicionando criadores como canais de negócio e não apenas de influência.

Para o pequeno empreendedor, essa mesma lógica se aplica de forma ainda mais direta. Não se trata de antecipar grandes tendências globais, mas de ler bem o contexto local, o calendário, o humor do consumidor e usar as ferramentas disponíveis de maneira prática. Quem observa os grandes eventos, adapta ofertas rapidamente, usa tecnologia para ganhar eficiência — mesmo que em soluções simples — e foca no que realmente constrói vantagem competitiva. Em cenários instáveis, agilidade, clareza e proximidade com o cliente valem mais do que orçamento ou promessas grandiosas.

O que conecta todos esses movimentos não é uma tendência isolada, mas a capacidade de leitura de contexto. O marketing do próximo ciclo exigirá menos futurologia e mais repertório; menos fórmulas prontas e mais sensibilidade cultural; menos discurso e mais entrega. O futuro já está em curso — e ele favorece quem entende o presente antes de tentar adivinhá-lo.

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Jorge Gloss
ESCRITO POR

Jorge Gloss

Diretor de marketing da JOVI, marca exclusiva da vivo Mobile Communication Co., Ltd. no Brasil.

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