Daniela dos Santos Silva, 44, virou referência de renda e acolhimento no Nordeste de Amaralina. A trancista montou um salto no quintal do seu conjunto Vale das Pedrinhas e, desde 2019, já formou 60 moradoras no ofício de tranças negras.
O serviço movimenta a casa de três cômodos onde cria os três filhos. A agenda tem lista de espera: atende cinco clientes por dia, cobra entre 80 e 300 reais por trabalho e mantém 25 famílias com renda fixa. Quem aprende o ofício recebe materiais e pode levar 50% do valor cobrado nos primeiros atendimentos.
Dani nasceu em Embu das Artes, na Grande São Paulo, e foi criada por avós em Baixa Grande, interior da Bahia. Deixou a escola aos 14 para cuidar dos irmãos menores. Voltou à capital baiana em 2004, grávida do primeiro filho, e descobriu que as tranças que fazia desde menina podiam pagar as contas.
O negócio cresceu quando decidiu ensinar o que sabia. Montou rodas de conversa sobre cuidados com cabelos crespos, autoestima e gestão de pequenos salões. A iniciativa virou ponto de encontro de mulheres que buscam renda ou apenas um espaço para trocar experiências. Atravessou a pandemia distribuindo máscaras junto com creme de pentear feito com óleo de coco do Dendezeiro.
Hoje, Dani articula uma parceria com a Associação de Moradores para transformar um barracão desativado em escola de beleza comunitária. O projeto aguarda doação de cadeiras e toucadores. O objetivo é triplicar o número de formandas até 2026 e abrir turmas de design de sobrancelha e micropigmentação para ampliar as oportunidades de trabalho.