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Registros de violência contra mulheres sobem e SP amplia rede de proteção em 87,6%

Com a ampliação, o estado conta agora com 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e 235 Salas DDM 24 horas - Divulgação

Apenas no primeiro trimestre de 2026, uma mulher foi assassinada, vítima de feminicídio, no Brasil. Os números, divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, conferem uma morte a cada 5 horas e 25 minutos.

No estado de São Paulo, que até abril deste ano contabilizou 107 casos de feminicídio, a rede policial especializada para mulheres vítimas de violência chego a 379 unidades, aumento de 87,6% desde 2023, com atendimento presencial e canais digitais para registrar ocorrências e buscar proteção.

Com a ampliação, o estado conta agora com 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e 235 Salas DDM 24 horas. A estrutura também inclui a DDM Online e o aplicativo SP Mulher Segura, ampliando as possibilidades de atendimento para quem não consegue ou não se sente segura para ir imediatamente a uma delegacia.

Feminicídio existe, sim. E os números comprovam

O investimento acontece em um momento de aumento na procura pelos serviços. No primeiro semestre de 2026, os registros de boletins de ocorrência nas DDMs, Salas DDM e DDM Online cresceram 15,3% em relação ao mesmo período de 2025. Os pedidos de medidas protetivas tiveram alta de 32,1% na mesma comparação.

Em entrevista ao SP POD, videocast da Agência SP, a delegada titular da DDM Online, Jamila Jorge Ferrari, destacou que a vítima pode buscar ajuda presencialmente ou pela internet e reforçou que a responsabilidade pela violência é do agressor. “A culpa nunca é da mulher. […] Elas têm o direito de pedir ajuda.”

Segundo a delegada, a Polícia Civil também mantém equipes capacitadas para realizar o acolhimento e encaminhar as vítimas para a rede de proteção.

Atendimento à mulher vítima de violência em SP: onde denunciar?

A expansão da rede não significa que a mulher precise necessariamente procurar uma Delegacia da Mulher para registrar uma ocorrência.

Existem diferentes portas de entrada, e a escolha pode depender da situação enfrentada.

Delegacias de Defesa da Mulher

As DDMs são unidades especializadas no atendimento de ocorrências envolvendo violência contra a mulher. São Paulo tem atualmente 144 unidades. A relação dos endereços pode ser consultada na página oficial do SP por Todas.

Salas DDM 24 horas

As 235 Salas DDM funcionam dentro de delegacias que mantêm plantão policial durante 24 horas.

Elas ampliam o acesso ao atendimento especializado em locais que não necessariamente contam com uma DDM exclusiva. Nesses espaços, a vítima pode registrar a ocorrência e receber orientação sobre a rede de proteção. Desde 2023, foram instaladas 173 novas Salas DDM 24 horas, segundo os dados divulgados pelo Estado.

DDM Online

A DDM Online permite registrar a ocorrência pela internet, sem que a vítima precise fazer o primeiro contato presencialmente.

Também é possível anexar materiais que possam ajudar na apuração, como fotografias, capturas de tela de conversas e áudios.

O serviço funciona com acompanhamento de equipe especializada 24 horas.

Registro online pode ajudar em situações de emergência

A delegada Jamila Jorge Ferrari relatou no SP POD um caso em que uma mulher conseguiu fazer um pedido de socorro pela DDM Online enquanto estava trancada no banheiro de casa.

Com medo de que o agressor escutasse uma ligação telefônica, ela fez o registro pela internet e escreveu apenas “socorro” no campo destinado ao relato.

A equipe identificou a situação e acionou a Polícia Militar. Segundo o relato apresentado pela delegada, uma viatura foi enviada ao endereço, no interior paulista, onde os policiais encontraram a mulher mantida em cárcere privado. O homem estava armado e foi preso.

O episódio mostra uma das situações em que o canal digital pode ser uma alternativa para iniciar o pedido de ajuda quando falar ao telefone ou sair de casa pode representar um risco.

Em uma emergência que exija resposta imediata, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.

Aplicativo SP Mulher Segura tem botão do pânico

Outra ferramenta disponível é o SP Mulher Segura, aplicativo que reúne serviços de proteção e permite registrar ocorrências.

Até agosto de 2026, segundo os dados divulgados pelo governo estadual, o aplicativo contabilizava 83,1 mil usuárias ativas, 3,1 mil boletins de ocorrência e mais de 20,8 mil acionamentos do botão do pânico.

O botão é destinado a mulheres que possuem medida protetiva de urgência. Em uma situação de risco, o acionamento permite enviar um alerta à Polícia Militar com a localização da usuária. O aplicativo também pode cruzar informações quando o agressor é monitorado por tornozeleira eletrônica.

O serviço está disponível para Android e iOS. O Governo de São Paulo informa que o aplicativo também permite solicitar medida protetiva e acessar informações sobre a rede de atendimento.

Pedidos de medidas protetivas aumentaram 32,1%

Além do crescimento dos registros de ocorrência, a procura por medidas protetivas também aumentou.

No primeiro semestre de 2026, os pedidos tiveram alta de 32,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A medida protetiva de urgência é uma ferramenta de proteção que pode estabelecer restrições ao agressor. O pedido pode ser encaminhado pela Polícia Civil, mas a decisão sobre a concessão cabe ao Poder Judiciário.

O SP por Todas também informa que existem outras formas de solicitar a medida, inclusive por meio do Ministério Público, da Defensoria Pública e da Justiça, conforme a situação.

Rede também inclui Cabine Lilás e Patrulha SP Mulher Segura

Vale lembrar, o atendimento não termina no registro do boletim.

A rede estadual inclui ainda a Cabine Lilás, a Patrulha SP Mulher Segura, as Salas Lilás instaladas em Institutos Médico-Legais e o monitoramento de agressores por tornozeleiras eletrônicas.

Segundo os dados apresentados pelo governo, a estrutura conta com cerca de 1,6 mil policiais, além de outros profissionais envolvidos na rede de atendimento.

Até agosto de 2026, a Cabine Lilás havia realizado mais de 34 mil atendimentos e efetuado 141 prisões em flagrante relacionadas ao descumprimento de medidas protetivas, conforme o balanço divulgado.

A proposta é oferecer diferentes caminhos para que a mulher consiga pedir ajuda, seja em uma unidade policial, pela internet ou por ferramentas digitais de emergência.

A violência não é responsabilidade da vítima

Durante o SP POD, Jamila Jorge Ferrari também reforçou uma orientação importante para mulheres que enfrentam situações de violência: a responsabilidade pelo crime não deve ser atribuída à vítima.

“Xingamentos, ameaças, empurrões e agressões físicas podem configurar crimes, dependendo das circunstâncias. Por isso, a orientação é buscar ajuda e utilizar os canais disponíveis quando houver condições de segurança”, explicou.

A rede estadual mantém uma página com a localização das DDMs e Salas DDM 24 horas para consulta por região.

Serviço

Emergência: Polícia Militar — 190

Central de Atendimento à Mulher: 180

Delegacias e Salas DDM: consulte os endereços na página oficial do SP por Todas.

DDM Online: registro de ocorrência pela internet.

SP Mulher Segura: aplicativo gratuito para Android e iOS, com serviços de proteção e registro de ocorrências.

Em caso de risco imediato, a prioridade é buscar um local seguro e acionar o serviço de emergência.

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