Paraisópolis, São Paulo terça-feira, 3 de março de 2026

Professora dá aulas de balé em Paraisópolis

Publicado na Veja SP

Trabalho com crianças vai além da dança e a frequência na escola é obrigatória

"Quero atender 2 000 alunos e transformar a região" (Foto: Ricardo D'Angelo )
“Quero atender 2 000 alunos e transformar a região” (Foto: Ricardo D’Angelo )

Por Silas Colombo

Após duas décadas dando aulas em escolas particulares, a professora de balé Mônica Tarragó foi surpreendida por uma notícia. Dois de seus alunos bolsistas, garotos pobres do Jardim Ângela, na Zona Sul, haviam sido aceitos no prestigiado Teatro Bolshoi do Brasil. Ali nasceu a vontade de ajudar crianças de uma favela que ela só conhecia pela janela de seu apartamento, no Morumbi.

O Ballet Paraisópolis deu os primeiros passos em maio do ano passado, quando a associação de moradores do local cedeu uma sala em sua sede, reformada e equipada em parceria com a operadora de telefonia Tim, que também bancou os uniformes.

Para que um candidato seja aceito,existem apenas duas exigências: estar matriculado na escola e manter 100% de frequência. Hoje, cerca de 100 meninas entre 9 e 12 anos aprendem as técnicas que sua professora aprimorou em renomadas academias na Itália. Outras 400 estão na fila de espera por uma vaga —100 serão abertas a partir de julho para aspirantes entre 7 e 17 anos. “Quero atender pelo menos 2 000 crianças e transformara região”, sonha Mônica.

São duas aulas semanais e, após oito anos de curso, as jovens se formam bailarinas e podem integrar companhias, atuar como coreógrafas ou se tornar mestras. “Ainda que não sigam carreira, elas sairão daqui com uma atitude profissional que será valorizada em outras áreas.”
A dura realidade da favela exigiu envolvimento em assuntos extraclasse. Logo no início do projeto, por exemplo, a professora notou a ausência de dois irmãos que haviam participado da primeira aula. Intrigada, foi à casa deles. “Descobri que o pai não gostou de ver os filhos no balé e proibiu”, lembra. O surgimento eventual de marcas roxas nas crianças a levou a percorrer vielas estreitas e entrar em barracos para entender as razões — geralmente, eram o resultado de brigas na escola ou de alergias pela convivência com roedores. A maior preocupação, no entanto, é a chuva. “Por duas vezes, alunas que moram em áreas de risco tiveram de buscar abrigo na associação”,conta Mônica.

Nome: Mônica Tarragó

Profissão: professora de balé clássico

Realidade que transformou: criou um projeto para ensinar dança a crianças da favela de Paraisópolis

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Joildo Santos
ESCRITO POR

Joildo Santos

Comunicador e fundador do jornal Espaço do Povo, em Paraisópolis, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras. CEO da CRIA S/A e presidente do Instituto Crias, é referência em comunicação de impacto social, conectando marcas, organizações e empreendedores da periferia para gerar oportunidades, renda e novos imaginários sobre as comunidades.

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