A professora e historiadora baiana Vera Lacerda, de 79 anos, lembra os sentimentos que a levaram a criar o bloco e o instituto Ara Ketu, em março de 1980, no bairro periférico de Periperi, em Salvador. O objetivo era gerar impacto social e tirar jovens do tráfico de drogas e da marginalidade.
Com a ajuda do primo, Augusto César, Vera conseguiu criar um espacio de música e carnaval que se tornou famoso. Ela explica que a motivação para o bloco nasceu do inconformismo com as desigualdades sociais na região do subúrbio ferroviário. A professora de história descobriu que poderia utilizar a música como instrumento de transformação e inclusão.
O bloco Ara Ketu tem um impacto significativo na comunidade, pois oferece cursos profissionalizantes para jovens. Mais de três mil jovens já realizaram cursos tanto da área musical quanto de outras atividades. O bloco ganhou reconhecimento em todo o Brasil e também no exterior.
Outras iniciativas semelhantes, como o bloco Didá, da comunidade do Pelourinho, também têm um impacto positivo na periferia de Salvador. O Didá é uma banda e agremiação exclusivamente voltada para mulheres e já passaram mais de cinco mil mulheres pelo bloco. A ideologia principal da agremiação é a garantia da liberdade para todas as mulheres.
A arte e a música são fundamentais para a transformação social na periferia. Iniciativas como o Ara Ketu e o Didá mostram que é possível fazer a diferença na vida das pessoas. Com a criação desses espaços, as pessoas podem se sentir empoderadas e ter mais oportunidades de crescimento e desenvolvimento.