Paraisópolis, São Paulo sábado, 15 de agosto de 2026
Crianças

Pneumonia mata mais crianças em áreas pobres de São Paulo, diz estudo

Pneumonia mata mais crianças em áreas pobres de São Paulo, diz estudo

Crianças e adolescentes internados por pneumonia estão espalhados por toda a cidade de São Paulo. No entanto, as mortes pela doença se concentram nas regiões mais pobres e vulneráveis da capital. Isso sugere que fatores ligados às desigualdades sociais, às condições de moradia e ao ambiente urbano influenciam mais o risco de morrer do que o de adoecer.

Um estudo publicado na Revista Paulista de Pediatria analisou 96 distritos administrativos do município entre 2010 e 2020. Foram registrados 1.486 óbitos e 156.112 internações por pneumonia entre crianças e adolescentes de até 19 anos. Em média, ocorreram 4,2 mortes e 446 internações por 100 mil habitantes ao ano.

O estudo mostrou que as mortes por pneumonia se concentram sobretudo na zona leste e no extremo norte da cidade. Já as hospitalizações se distribuíram por diferentes regiões da cidade, incluindo bairros de maior renda. Isso indica que a desigualdade social e as condições de moradia desempenham um papel importante no risco de morte por pneumonia.

Os pesquisadores utilizaram técnicas de geoprocessamento para identificar as áreas de maior risco. Eles estimaram o risco relativo de internações e mortes em cada distrito administrativo, levando em consideração o tamanho da população de crianças e adolescentes. A análise mostrou que os distritos com menor pontuação no GeoSES, um índice que reúne indicadores de renda, escolaridade, pobreza, mobilidade, segregação social e acesso a recursos, apresentaram risco relativo de morte por pneumonia cerca de 75% maior que o esperado.

a presença de vias de trânsito rápido também permaneceu associada ao maior risco de morte. Isso sugere que a exposição a poluentes pode ser um fator contribuinte para o risco de morte por pneumonia. No entanto, o estudo não permite concluir que a exposição à poluição seja responsável pela maior mortalidade observada.

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Redação Espaço do Povo
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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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