Jovens de favelas estão criando uma inteligência artificial capaz de identificar e corrigir preconceitos dentro de outros programas de computador. A iniciativa nasceu de uma parceria entre o Museu das Favelas e a Universidade de São Paulo que une tecnologia e educação antirracista.
Sessenta estudantes do ensino médio de escolas públicas participam do projeto gratuito que acontece aos sábados no Museu das Favelas, localizado na Várzea do Carmo, zona norte de São Paulo. Eles aprendem programação, robótica e história afro-brasileira para construir ferramentas que combatam a discriminação presente nos algoritmos.
“Os computadores aprendem com dados do passado e repetem preconceitos antigos”, explica a educadora Ana Paula Silva. “Nossos alunos estão ensinando as máquinas a reconhecer quando isso acontece e corrigi-lo.” O grupo já identificou, por exemplo, que sistemas de reconhecimento facial têm dificuldade de identificar rostos negros.
A parceria com a USP começou em 2023 quando pesquisadores do Instituto de Matemática perceberam a falta de diversidade nas equipes de tecnologia. “As comunidades precisam estar na mesa de decisão dessas tecnologias que afetam nossas vidas”, afirma o coordenador do projeto, professor Marcos Lima.
Os participantes recebem bolsa-auxílio de R$ 300 mensais e certificado de 200 horas de curso. Muitos já planejam carreira na área. “Antes eu só usava redes sociais. Agora estou criando um app que ajuda moradores de favela a encontrar serviços públicos próximos”, conta Kauã Santos, 16, morador do Jardim Pantanal.
O Museu das Favelas busca expandir o programa para outras comunidades. Interessados podem se inscrever pelo site museudasfavelas.org.br. A próxima turma tem previsão de começar em agosto com 40 novas vagas.