Paraisópolis, São Paulo domingo, 1 de março de 2026
Comunidade

Periferia Viva leva oficinas de economia verde e empoderamento ao Guamá

Belém – Amanhã, a partir das 9h, a Avenida Tucunduba com a Rua dos Mundurucus vira ponto de encontro para quem quer aprender a tirar renda da floresta sem destruí-la. A Associação Cultural Boi Marronzinho, o Laboratório Saber e Conviver em Baixadas e o Chalé da Paz preparam oficinas práticas de economia verde, concurso de fantasias feitas com sucata e um grito coletivo pelo “Rio Tucunduba Verde e Resiliente”.

O evento integra o Programa Periferia Viva, iniciativa do Ministério das Cidades que passa pelas periferias de todo o país. Em Belém, o foco está nos bairros do Guamá, Terra Firme, Universitário e Marco, onde moradores montam equipes territoriais para pensar soluções baseadas na natureza (SBNs) contra enchentes, lixão e desemprego. “A ideia é mostrar que dá para gerar trabalho e renda com o que já temos aqui: água, barro, palha, coco, peixe”, resume a arquiteta e educadora Myrian Cardoso, do Boi Marronzinho.

As equipes saem de cada bairro às 8h30 e caminham até o cruzamento da Tucunduba. Lá, rola apresentação dos grupos, pactuação das atividades, gincana, festival de marchinhas e entrega de prêmios para as fantasias mais criativas. Tudo pensado pelos próprios moradores. “O governo manda recurso, mas quem desenha o dia a dia somos nós. Se a gente não tomar conta do rio, ninguém vai”, diz Myrian.

O Tucunduba é um dos afluentes mais poluídos da capital paraense. Nas últimas décadas virou depósito de lixo doméstico e industrial. A programação de domingo quer colocar o curso d’água de volta ao centro da vida da periferia. Para isso, as oficinas ensinam a montar cisterna de captura de chuva, a transformar resíduo em adubo, a criar horta em garrafa pet e a calcular quanto dinheiro dá para economizar com conta de luz usando energia solar caseira.

A Secretaria Nacional de Periferias financia o evento, mas o comando é local. A Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp) fiscaliza o uso dos recursos. Moradores interessados em participar podem se inscrever gratuitamente nos pontos de encontro de cada bairro até as 8h de amanhã. Quem levar material reciclável ajuda a montar os cenários e concorre a brindes como cestas básicas e kits de pintura.

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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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