Paraisópolis, São Paulo terça-feira, 3 de março de 2026

Pela imediata retomada da Virada Social em Paraisópolis

Neste dia 29 de outubro a Polícia Militar anunciou uma operação denominada “Saturação”, com a presença de 600 homens em nossa comunidade. Esta operação repete outra com as mesmas características, ainda que com metade do efetivo de soldados, ocorrida a exatos 1366 dias.

Na época nossa entidade defendeu que problemas sociais devem ser tratados com política social, e não apenas por meio de ações deste tipo. Ainda mais numa comunidade com as características da nossa, que apesar de ter mais de 60 anos, apenas nos últimos 10 anos o Estado se fez presente por meio de canalização de córregos, abertura e asfaltamento de ruas, a posse legal das casas que já morávamos há décadas, a regularização dos serviços de água e luz.

Faltam ainda escolas, creches, hospital, quadras esportivas. Não temos um único cinema, clube ou faculdade para mais de 100 mil moradores, dos quais 7 em cada 10 com menos de 30 anos. Dentre esses, o desemprego é alarmante, e os empregados dificilmente ultrapassam 1 salário mínimo de renda.

Tendo em vista essa realidade, após a primeira operação Saturação, foi criada pelo governo dialogando com a comunidade a chamada “Virada Social”, que definiu 126 ações do Estado na comunidade, como a construção de mais um CEU, Clube-Escola, Centro de Educação Ambiental, CREAS, Parque Paraisópolis, CIC, Casa de Cultura entre outros. Destas, apenas 22 foram realizadas. As outras 104, 81%, ficaram no papel.

Portanto, a União dos Moradores exige o cumprimento das ações prometidas na Virada Social, sob o risco de alimentarmos um círculo vicioso que não enfrenta os reais problemas de nossa comunidade, e joga nos ombros do povo trabalhador a responsabilidade que é do Estado, no caso oferecer dignidade e oportunidades para todos.

União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis

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Joildo Santos
ESCRITO POR

Joildo Santos

Comunicador e fundador do jornal Espaço do Povo, em Paraisópolis, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras. CEO da CRIA S/A e presidente do Instituto Crias, é referência em comunicação de impacto social, conectando marcas, organizações e empreendedores da periferia para gerar oportunidades, renda e novos imaginários sobre as comunidades.

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