Escritório para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (OHCHR) condenou, neste sábado (10), os ataques racistas dirigidos à tenista americana Coco Gauff durante o WTA 1000 de Pequim.
A controvérsia começou na partida da segunda‑feira (5) contra a chinesa Sun Xinran, quando Gauff interrompeu o jogo ao apontar que os telões de LED piscavam, atrapalhando seu desempenho. O árbitro aceitou o pedido e o ponto foi repetido, resultando na vitória da norte‑americana.
Após o incidente, Gauff denunciou ter recebido uma quantidade “insana” de comentários preconceituosos nas redes. O OHCHR, liderado pelo alto comissário Volker Türk, declarou que tais ataques são “terríveis e ilustram como atletas negras são um alvo de críticas violentas e abuso racial”.
Türk acrescentou que “não existe espaço no esporte para ofensas racistas, sexistas ou abuso”. Também afirmou que “jogadores, técnicos e organizações esportivas precisam apoiar quem sofre esses ataques, e os fãs precisam ir contra quem mancha o esporte com racismo e sexismo”.
A própria WTA enviou comunicado à AFP dizendo estar “horrorizada” com a situação e reforçando que “o racismo, a discriminação e os insultos não têm lugar no tênis”.
Na rodada seguinte, Gauff foi eliminada nas oitavas de final pelo belga Elise Mertens, alegando falta de energia e risco de desmaio durante a partida.
A declaração da ONU reforça a responsabilidade das federações esportivas de proteger atletas de abusos online, enquanto os fãs são convocados a denunciar comportamentos discriminatórios.
Especialistas em direitos humanos apontam que a condenação da ONU pode pressionar clubes e organizadores a adotar protocolos de monitoramento de discurso nas plataformas digitais, protegendo atletas e preservando a integridade do esporte.