O cantor, compositor e pesquisador Marcelo Pretto morreu nesta terça-feira (22) aos 58 anos em São Paulo. Ele estava internado desde o fim de semana e não resistiu às complicações de um diabetes avançado.
Pretto era uma das vozes centrais do Barbatuques, grupo que transforma corpo inteiro em instrumento musical: boca, palmas, peito e pés viram bateria, melodia e harmonia. A trupe rodou favelas, escolas públicas e centros culturais com oficinas gratuitas que ensinam crianças a compor música sem gastar um centavo.
O trabalho rendeu ao grupo o prêmio Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Infantil em 2020 por Todos os Cantos. O disco gravou sons de rua e vozes de alunos de escolas municipais do Brasil inteiro, provando que orçamento curto não limita criatividade.
Natural de Porto Alegre, Pretto começou batucando em tambores de escola de samba antes de mergulhar na pesquisa de ritmos corporais africanos e indígenas. Em entrevistas, contava que a ideia surgiu quando viu alunos sem instrumentos na periferia de Fortaleza criando funk com a própria boca. “Se o corpo é seu, o som também é”, repetia.
A Prefeitura de São Paulo já usou o método dele em projetos de educação musical nas escolas municipais, beneficiando mais de 40 mil alunos desde 2015. A Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro preparava nova temporada de oficinas gratuitas com o Barbatuques para o segundo semestre. A assessoria da banda confirma que os encontros seguem como forma de homenagear o mestre.
O corpo será velado na tarde desta quarta (23) no Cemitério do Araçá, zona norte de São Paulo, com entrada franca para fãs e ex-alunos. A família pediu doações ao Diabetes Brasil em lugar de flores.