O Ministério da Fazenda (MF) projetou o valor do salário mínimo em R$ 1.741 para o ano de 2027. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (24) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. O novo montante supera a estimativa anterior de R$ 1.717 por causa de uma projeção maior para a inflação, fixada em 4,93%, com a influência do El Niño nos preços dos alimentos.
O ministro e a Junta de Execução Orçamentária definiram o projeto do Orçamento de 2027 junto ao presidente Lula. O texto será enviado ao Congresso Nacional até 31 de agosto. Durigan afirmou que as definições foram tomadas e que o governo entregará ao Legislativo uma peça diferente do orçamento recebido anteriormente.
A fórmula de reajuste do piso nacional combina a inflação e o crescimento da economia. O cálculo utiliza o INPC acumulado em 12 meses até novembro de 2026 e a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Para 2027, a conta considera o crescimento de 2,3% do PIB em 2025, enquanto o ganho real fica limitado a 2,5% por causa do arcabouço fiscal.
O reajuste atinge aposentadorias e benefícios sociais vinculados ao salário mínimo, que hoje é de R$ 1.621. O valor serve de referência para pagamentos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas), parcela mínima do seguro-desemprego e a contribuição de microempreendedores individuais (MEIs). O MF negou planos de desvincular esses benefícios do piso, mesmo após técnicos simularem cenários de reajustes diferentes para aposentados e trabalhadores da ativa.
Cerca de 45% dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social seguem o salário mínimo, o que gera impacto direto nas contas públicas. O governo detalhará os números dessas despesas com cuidado, projetando um aumento das obrigatórias inferior ao crescimento geral do orçamento. O valor definitivo de R$ 1.741 poderá mudar conforme o INPC acumulado até novembro de 2026, com entrada em vigor em janeiro de 2027.