“Cultura vai para a periferia” marca a abertura das comemorações do Mês da Mulher em Mauá com uma grande programação no Jardim Zaíra, priorizando quem vive longe do centro da cidade. No dia 1º de março, a avenida Sebastião Antonio da Silva, conhecida como a rua da feira de sábado, recebe das 9h às 15h o Festival Conexão Cultural, com serviços públicos, atrações artísticas e ações de valorização das mulheres. A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Relações Institucionais e integra a agenda municipal voltada ao enfrentamento da violência doméstica e do feminicídio, articulando cultura, cidadania e políticas de direitos humanos.
Várias secretarias municipais participam do evento oferecendo atendimentos e orientações à população, transformando a via em um grande corredor de serviços e convivência. Estão previstas ações de saúde, apoio psicossocial, informação sobre rede de proteção, encaminhamentos e iniciativas voltadas à autonomia econômica feminina, numa estratégia de aproximar o poder público das moradoras dos bairros periféricos. A escolha do Jardim Zaíra reforça a intenção de descentralizar a programação e levar estruturas de cuidado e lazer para regiões que historicamente recebem menos investimentos culturais.
A programação artística inclui apresentações de artistas locais e um evento simultâneo realizado pela Produtora Arte Nova, com apoio da Petrobras e do Ministério da Cultura. No palco, sobem nomes como Salgadinho, KL Jay, Luiz Camilo, Trio da Lua, Arnaldo Tifu, Sereno Não, É Garoa e Carica Sensação, aproximando diferentes gerações e estilos musicais do público do bairro. Os shows prolongam a movimentação cultural até as 22h, criando um dia inteiro de festa popular, circulação de artistas e ocupação positiva do espaço público.
Ao apostar em um grande festival na periferia para abrir o Mês da Mulher, Mauá sinaliza que o enfrentamento à violência de gênero passa também pelo acesso à cultura, à informação e ao fortalecimento dos vínculos comunitários. A programação gratuita, em via aberta e com forte presença de serviços públicos, busca reduzir barreiras de deslocamento e custo que muitas vezes afastam mulheres periféricas de atividades culturais e de apoio institucional. Com isso, o município tenta transformar o Mês da Mulher em um período de celebração, mas também de mobilização política e social em torno dos direitos das mulheres que vivem nas bordas da cidade.