Obra do escritor Yke Leon chega à quadra da Mangueira reunindo 30 contos inspirados nas vidas de 13 moradoras da comunidade, com prefácio da cantora Alcione e estreia de documentário sobre o processo de criação.
Foi durante dois meses de convivência com moradoras do Morro da Mangueira que o escritor Yke Leon colheu a matéria-prima de “As Mangueirenses”, livro de contos que chega ao público nesta quarta-feira, 7 de outubro, em evento gratuito na quadra da Estação Primeira de Mangueira, no Rio de Janeiro. A partir das 19h, o lançamento vai reunir coquetel, sessão de autógrafos com o autor e as protagonistas das histórias, além da exibição do documentário “As Mangueirenses – O Documentário”, dirigido por Guilherme Quadrado.
Publicado pela Editora Albatroz, o livro reúne 30 narrativas que fugem dos estereótipos normalmente associados à favela. Há espaço para o humor — como o caso da moradora que saiu de casa com um nome e retornou com outro registrado na certidão — e também para a dor, no relato de uma mãe que perdeu a filha durante um desfile na Avenida Santos Dumont. Juntas, as histórias traçam um retrato da complexidade emocional e da força das mulheres do território.
Uma escuta que virou livro
Idealizada pela Associação Meninas e Mulheres do Morro (AMMM) e contemplada pelo edital de Produção Literária da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SECEC-RJ), a obra nasceu da escuta direta de 13 mulheres da comunidade. Para Yke Leon, a experiência superou qualquer expectativa:
“Foi uma honra muito grande ter sido escolhido para ser o mediador entre essas narrativas e o resto do mundo. Comecei este projeto acreditando que meu grande desafio era extrair dessas mulheres as histórias que elas não contavam para ninguém. Ledo engano. Bastou uma tarde para perceber que cada encontro seria uma fonte inesgotável de narrativas. Foi tanto conteúdo que poderíamos escrever uns três volumes de ‘As Mangueirenses’. Mérito delas. Este livro é só o nosso primeiro passo.”
Prefácio de peso
A obra é aberta por textos de Guanayra Firmino, presidenta da Estação Primeira de Mangueira, e da cantora Alcione, que celebra a resiliência das moradoras:
“Falar das mulheres da Mangueira é falar de mulheres guerreiras e batalhadoras. De uma casta muito especial que, mesmo enfrentando dificuldades, sabe como lidar com as intempéries e as mazelas da vida. Tenazes, geralmente exibem um sorriso nos lábios, dando-nos a certeza de que seguirão em frente sem se deixar abater. Mulheres empoderadas, famosas ou não, mas todas autênticos pilares de tantas e tantas famílias que vivem nesse Morro, cujo nome virou símbolo cultural que extrapola as fronteiras do nosso país.”
Além das páginas policiais
Para Kely Louzada, fundadora e coordenadora geral da AMMM, o livro cumpre um papel de disputa narrativa sobre o território:
“Esse livro serve para mostrar a força das mulheres da Mangueira e da comunidade, como um todo. Estamos cansados de só aparecer nas páginas policiais! Nós queremos mostrar que também podemos estar nas páginas de cultura. Nossa história não é só de tristeza, muito pelo contrário. Nossos 30 anos de atuação refletem exatamente essa potência de vida que emana desse território.”
Quem é a AMMM
Fundada em 1995 no Morro da Mangueira, na Zona Norte do Rio, a Associação Meninas e Mulheres do Morro é uma organização sem fins lucrativos dedicada à transformação social por meio da educação, da cultura, da cidadania e do empoderamento feminino. Ao longo de mais de três décadas, seus programas — entre eles a biblioteca Atelier das Palavras — já impactaram milhares de pessoas e renderam reconhecimentos em instâncias municipais, nacionais e internacionais.
Serviço
-
O quê: Lançamento do livro “As Mangueirenses”, com sessão de autógrafos, coquetel e exibição do documentário
-
Quando: Quarta-feira, 7 de outubro, às 19h
-
Onde: Quadra da Estação Primeira de Mangueira — Rua Visconde de Niterói, 1072, Mangueira, Rio de Janeiro (RJ)
-
Entrada: Gratuita