Paraisópolis, São Paulo quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Cultura

Jovem de Laranjeiras cria maquete de 450 m² do Pereirão com tijolos reaproveitados

Cirlan Souza de Oliveira criou, no topo da comunidade Pereira da Silva, conhecida como Pereirão, em Laranjeiras, Zona Sul do Rio de Janeiro, uma favela em miniatura. O Projeto Morrinho ocupa atualmente cerca de 450 metros quadrados e utiliza tijolos reaproveitados, tinta e bonecos para reproduzir cenas do dia a dia da comunidade.

A iniciativa começou em 1998, quando Cirlan Souza de Oliveira tinha 14 anos e seu irmão, Maycon, tinha 8 anos. Os dois montaram as primeiras construções no quintal da família com o objetivo de reproduzir espaços conhecidos por eles usando materiais simples. O projeto cresceu com a entrada do vizinho Ranieri e de outros cinco jovens, totalizando oito criadores na ampliação da maquete.

A maquete apresenta casas coloridas, becos, escadarias, comércio, escola e campo de futebol. Os bonecos possuem funções específicas, como estudantes, comerciantes, músicos e agentes públicos. A estrutura inclui ainda creche, quadra e escola de samba. A brincadeira seguia regras rígidas: os personagens não podiam voar, saltar alturas impossíveis ou correr mais rápido que um carro, com um participante controlando as cenas.

O projeto entrou no campo audiovisual em 2001, durante a produção do documentário “Morrinho, Deus sabe tudo, mas não é X-9”. A produção incluiu uma oficina de vídeo onde os jovens aprenderam técnicas de câmera para transformar as histórias dos bonecos em curtas-metragens. Esse processo resultou na criação da TV Morrinho, com vídeos de aproximadamente cinco minutos que misturam ficção, humor e realidade.

A TV Morrinho e o projeto expandiram a atuação para a realização de oficinas de construção de maquetes, criação de personagens, narrativa e produção audiovisual. Essas atividades permitiram que a comunidade produzisse suas próprias histórias, mudando a perspectiva de quem observava o território de fora.

O reconhecimento externo levou a obra para diversos espaços de arte. O Rio Design Center recebeu a instalação em 2002 e o Museu de Arte do Rio a expôs em 2013. O Projeto Morrinho também foi levado para exposições na América do Sul, Estados Unidos e Europa. Em 2007, a maquete foi apresentada nos jardins da 52ª Bienal de Arte de Veneza, na Itália.

Além das exposições internacionais, as produções audiovisuais do Projeto Morrinho conquistaram prêmios em festivais brasileiros. A construção coletiva da cidade imaginada pelos jovens do Pereirão manteve a origem baseada em tijolos quebrados e no conhecimento direto do território.

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Redação Espaço do Povo

Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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