Um baralho com 54 cartas mostra para alunos de escolas públicas que a Amazônia vai muito além do açaí e do cupuaçu. Cada carta do Super Frutas traz uma fruta verdadeira — como bacuri, buriti ou pitomba — com dados de valor de mercado, vitaminas e impacto ambiental. A ideia é transformar o conhecimento da floresta em oportunidade de trabalho dentro das periferias.
O baralho funciona como o Super Trunfo clássico: quem tiver o maior número de nutrientes ou preço por quilo leva a rodada. A diferença está no final da partida: o aluno pode scanear um QR code e baixar um caderno de atividades que ensina a calcular lucro de um sorvete de graviola ou o custo de transporte de um caminhão de taperebá até a feira.
Carlos Eduardo Rocha, doutorando da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, criou o jogo com R$ 12 mil de edital da própria universidade. Em seis meses, ele e outros quatro pesquisadores desenharam as regras, tiraram fotos reais das frutas e negociaram com gráficas de Piracicaba para manter o preço por conjunto em R$ 9. Cada real arrecadado é reinvestido em novas tiragens.
Trinta escolas municipais de São Paulo já receberam 1,2 mil decks gratuitos. A professora Ana Paula da Silva, da EMEF Parque do Encantado, zona sul da capital, aplicou o jogo em duas turmas de 8º ano. Depois de quatro aulas, os 72 alunos montaram um projeto de vender picolés de frutas regionais na saída da escola. O lucro de R$ 320 virou material de pintura para a turma de arte.
Quem quiser levar o Super Frutas para sua comunidade pode solicitar o PDF gratuito no site do projeto e imprimir em casa. A versão colorida já está disponível em 14 gráficas de bairros periféricos de São Paulo, que cobram entre R$ 7 e R$ 10 o baralho. O próximo passo, conta Rocha, é lançar um aplicativo para celular com desafios semanais e ranking entre escolas.