O Brasil registrou 37% mais ciberataques entre fevereiro de 2025 e o mesmo mês deste ano, enquanto o mundo todo já opera perto do recorde histórico de invasões. A alta pega quem usa celular para receber Pix, se inscrever em vagas ou manter o benefício do governo ligado ao CadÚnico.
Criminosos miram dados pessoais que depois vendem em sites clandestinos. Com o CPF, nome da mãe e um número de celular, eles abrem conta em fintechs, pedem empréstimo ou clonam o WhatsApp e pedem dinheiro aos parentes. O prejuízo médio por vítima chega a R$ 3.200, segundo levantamentos de segurança digital.
O golpe mais comum agora é o fake de auxílio. O usuário recebe um link dizendo que o Bolsa Família precisa ser “reativado” ou que há uma nova rodada do Cartão de Benefícios. Clica, digita senha e, em minutos, perde o acesso ao aplicativo do governo. O benefício some ou o número é usado para pedir empréstimo consignado.
Periferias viram alvo fácil porque muita gente acessa a internet só pelo celular e não tem computador com antivírus. O Wi-Fi aberto da praça ou do bar ao lado do ponto de ônibus vira porta de entrada: o mesmo nome de rede é copiado por um criminoso que fica próximo. Quem se conecta no falso sinal passa por um site que parece o do banco e entrega login e senha.
Para quem perdeu dinheiro ou teve o nome sujo, a saída é registrar boletim de ocorrência e entrar no site Registrato do Banco Central para abrir uma reclamação formal. A central de atendimento do banco ou da fintech também pode ser acionada para pedir o estorno. O BC determinou que as instituições devolvem o valor em até duas semanas quando há comprovação de franquia no sistema.
Proteger o celular custa pouco: usar o próprio token do banco em vez de senha numérica, manter o sistema atualizado e não clicar em link de número desconhecido. Em lojas de assistência técnica de comunidades, a instalação de antivírus custa em média R$ 30 e leva 15 minutos. Em dia de pagamento, vale mais gastar esse tempo do que perder o benefício do mês inteiro.