Paraisópolis, São Paulo domingo, 22 de fevereiro de 2026
Cultura

Fotografia Popular: Olhar das Favelas no Mundo

Rocinha: moradores são enxergados sob a lente da câmera (Fotogracria/Reprodução) Leia mais em: https://vejario.abril.com.br/cidade/projeto-fotogracia-salem-rocinha/

Na periferia do Rio de Janeiro, a fotografia se tornou mais que arte: é resistência e afirmação de identidade. Projetos como Imagens do Povo, do Observatório de Favelas, completam 20 anos em 2024, formando fotógrafas populares para contar histórias que a mídia tradicional ignora. “Nada de imagens que reforçassem os estereótipos da grande mídia”, afirma o projeto, que busca mostrar “a beleza que eles, em seu cotidiano, percebem, vivem e, principalmente, sentiam”.

Na Rocinha, Salem, conhecida como Fotogracria, personifica essa resistência. Criada na comunidade, ela fotografava o cotidiano para “quebrar estereótipos e realçar potências”. “Eu sóvia notícia ruim sobre as favelas. Cresci com esse incômodo”, conta. Seu projeto “Pontos de Vista” levou exposições para becos e paredes da Rocinha, transformando o espaço em galeria popular. “Quis que as fotos estivessem onde as pessoas vivem. Que a mãe, a avó, o tio, o vizinho, todos pudessem ver”, diz.

Essas iniciativas transformam a câmera em ferramenta de cidadania. O Imagens do Povo já formou mais de 200 fotógrafas em dez anos, enquanto Fotogracria usa a arte para fortalecer a autoestima de crianças da comunidade. “Tento mostrar pra elas que elas já brilham, elas já são protagonistas”, afirma. Essas fotógrafas populares já levaram suas histórias para seis países, provando que o olhar das periferias tem lugar no mundo.

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Joildo Santos
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Joildo Santos

Comunicador e fundador do jornal Espaço do Povo, em Paraisópolis, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras. CEO da CRIA S/A e presidente do Instituto Crias, é referência em comunicação de impacto social, conectando marcas, organizações e empreendedores da periferia para gerar oportunidades, renda e novos imaginários sobre as comunidades.

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