Na periferia do Rio de Janeiro, a fotografia se tornou mais que arte: é resistência e afirmação de identidade. Projetos como Imagens do Povo, do Observatório de Favelas, completam 20 anos em 2024, formando fotógrafas populares para contar histórias que a mídia tradicional ignora. “Nada de imagens que reforçassem os estereótipos da grande mídia”, afirma o projeto, que busca mostrar “a beleza que eles, em seu cotidiano, percebem, vivem e, principalmente, sentiam”.
Na Rocinha, Salem, conhecida como Fotogracria, personifica essa resistência. Criada na comunidade, ela fotografava o cotidiano para “quebrar estereótipos e realçar potências”. “Eu sóvia notícia ruim sobre as favelas. Cresci com esse incômodo”, conta. Seu projeto “Pontos de Vista” levou exposições para becos e paredes da Rocinha, transformando o espaço em galeria popular. “Quis que as fotos estivessem onde as pessoas vivem. Que a mãe, a avó, o tio, o vizinho, todos pudessem ver”, diz.
Essas iniciativas transformam a câmera em ferramenta de cidadania. O Imagens do Povo já formou mais de 200 fotógrafas em dez anos, enquanto Fotogracria usa a arte para fortalecer a autoestima de crianças da comunidade. “Tento mostrar pra elas que elas já brilham, elas já são protagonistas”, afirma. Essas fotógrafas populares já levaram suas histórias para seis países, provando que o olhar das periferias tem lugar no mundo.