Um grupo de forró se reúne uma vez por mês em espaços públicos de São Paulo há mais de quinze anos. O que começou com uma caixa de som no Parque Ibirapuera virou um dos coletivos culturais mais conhecidos da cidade. O objetivo sempre foi claro: usar a dança como forma de aproximar pessoas e cuidar da saúde mental.
O projeto nasceu da vontade de reencontrar amigos no início do ano, mas ganhou força e se transformou em comunidade. Nos encontros, a dança funciona como ponto de partida para criar vínculos e fortalecer o senso de pertencimento. O público é diverso, mas a maioria tem entre 30 e 50 anos. Muitos chegam sozinhos e acabam formando amizades duradouras dentro do coletivo.
Antes mesmo de debates sobre saúde mental se popularizarem nas redes, o grupo já falava sobre afeto, convivência e presença coletiva. Para os organizadores, o forró é uma ferramenta de socialização, acolhimento emocional e combate à ansiedade e à depressão. A dança não é só passos, mas um espaço de cuidado e de fortalecimento de laços.
Ao longo dos anos, o coletivo precisou mudar de local várias vezes. Depois do Ibirapuera, passou pelo Parque da Juventude, ocupou o Largo da Batata por anos e realizou encontros na Avenida Paulista. Cada mudança aconteceu após restrições ou proibições ligadas ao uso de som em espaços públicos. Mesmo assim, o grupo continuou circulando pela cidade. Atualmente, tenta viabilizar o retorno dos eventos ao Largo da Batata.
O projeto nunca contou com grandes estruturas de financiamento. Durante muitos anos, os próprios organizadores bancaram os custos. Em alguns eventos, o dinheiro arrecadado com chapelaria, venda de água ou pequenas contribuições do público ajudava a pagar aluguel de som, tendas e logística. Mesmo sem apoio constante, o coletivo movimentou um ecossistema inteiro ligado ao forró, ajudando bandas, DJs e professores de dança a ganharem visibilidade na cidade.
Os eventos também se transformaram em pontos de arrecadação solidária. Em cada edição pública, uma organização não governamental diferente é convidada. O público contribui levando 1 kg de alimento, que é destinado às instituições parceiras. Além disso, o grupo vem criando uma rede de parceiros para fortalecer pequenos empreendedores ligados ao universo do forró, incluindo moda, gastronomia e cultura popular nordestina.