A oficina de hip-hop e cultura de rua da escola municipal João Belarmino, na Vila São Jorge, ficou em 6º lugar no Prêmio Perêmio Viva 2025. A escola foi a única representante do estado entre os dez melhores projetos de cultura de periferia do Brasil.
O resultado foi divulgado nesta terça (22) pela Secretaria Especial da Cultura do governo federal. A iniciativa de Ferraz competeu com 1.200 inscrições vindas de todas as regiões. O prêmio garante R$ 30 mil para ampliar as atividades gratuitas oferecidas aos jovens da comunidade.
Desde 2019, o professor de educação física Robson Silva, 38, transformou o contra-turno escolar em laboratório de criação. Turmas de DJ, grafite, break e rap reúnem 80 alunos regularmente. Com o recurso, a meta é chegar a 120 participantes e montar um estúdio de gravação dentro da própria escola.
A escola fica no bairro Vila São Jorge, onde 42% da população tem entre 15 e 29 anos e a renda média familiar é de dois salários mínimos. Pela manhã, os alunos cursam o ensino regular; à tarde e noite, usam os equipamentos da oficina para compor letras, pintar murais e ensaiar coreografias.
O prêmio também abre convites para apresentações em outras cidades. A próxima viagem agendada é para o Encontro de Culturas Periféricas em Belo Horizonte, em agosto. A passagem, hospedagem e alimentação dos adolescentes serão custeadas com parte da verba.
Para Robson, o reconhecimento muda a narrativa sobre a periferia. “Galera vê que é possível viver de arte sem sair da comunidade. O dinheiro não é só recurso, é mensagem de que nosso trabalho vale a pena”, comemorou.