O Brasil possui mais de 12 mil favelas, onde vivem cerca de 16,4 milhões de pessoas, total equivalente a 8,07% da população brasileira. As favelas são marcadas por territórios heterogêneos em diversos lugares inicialmente impróprios para habitação e pela precariedade na infraestrutura e serviços públicos.
Segundo Hugo Rogério de Barros, pesquisador do Centro de Síntese USP Cidades Globais, as mudanças climáticas agravam os problemas enfrentados nas periferias. Ele explica que a questão das mudanças climáticas na periferia pode ser pensada por várias linhas diferentes, incluindo a questão da infraestrutura.
Jeferson Tavares, professor do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP de São Carlos, destaca a importância de melhorar a resiliência das comunidades periféricas para reduzir os impactos climáticos nessas áreas. Ele defende que as políticas públicas devem atender a toda a população, garantindo o bem-estar social, água encanada, coleta de esgoto, drenagem adequada, mobilidade e habitação de qualidade.
Um dos projetos urbanísticos para reduzir os impactos climáticos é o projeto da “escada-nexo”, que promete renovar a infraestrutura de periferias e introduzir fontes de energia limpa em comunidades. Além disso, é fundamental considerar a vulnerabilidade social e não apenas processos geológicos ao desenvolver planos comunitários de redução de risco e adaptação climática.
É essencial que as comunidades periféricas sejam envolvidas no processo de planejamento e desenvolvimento de soluções para reduzir os impactos climáticos. Isso inclui a necessidade de investir em infraestrutura, educação e conscientização sobre as mudanças climáticas e seus efeitos nas favelas.