As chuvas que castigam a Zona da Mata mineira desde o fim de semana deixaram 59 mortos até a noite desta quinta-feira (26). O Corpo de Bombeiros atualizou o balanço após mais um dia de buscas em oito municípios atingidos por deslizamentos de terra e inundações.
As equipes atuam em oito frentes diferentes, sendo seis delas concentradas nas cidades mais afetadas: Barbacena, São João del-Rei, Rio Pomba e Juiz de Fora. Em muitos pontos, a lama chegou a dois metros de altura, arrastando casas inteiras e impedindo o acesso de ambulâncias.
Até o momento, 3 400 pessoas estão desalojadas e 1 200 ficaram isoladas por conta de estradas interditadas. A Defesa Civil estadual reconheceu que ainda não há previsão de quando as famílias poderão voltar para casa. “Muitas comunidades ficaram ilhadas; precisamos de helicópteros para lançar água e remédios”, disse o tenente-coronel Marco Aurélio, porta-voz dos bombeiros.
O governo de Minas informou que vai liberar R﹩ 50 milhões de auxílio emergencial, mas ainda não detalou como o dinheiro será distribuído. Moradores relatam falta de alimentos e água potável. “Chegou água suja na minha casa. Perdi geladeira, fogão, cama. O que eu faço agora?”, questiona a dona de casa Ana Paula da Silva, 42, que vivia em um bairro periférico de Juiz de Fora.
A situação deve piorar: o Instituto Nacional de Meteorologia mantém alerta laranja para a região até domingo, com previsão de mais 120 mm de chuva em 48 horas. Especialistas apontam que o desmatamento próximo às encostas e a ocupação de áreas de risco agravam os efeitos das tempestades. A Defesa Civil recomenda que quem mora em locais já sinalizados como perigosos procure abrigos oficiais.