Baratas em fila na pia, casca seca no canto do banheiro e o cachorro late para debaixo da cama. Pequenos sinais que avisam: o escorpião-amarelo pode estar morando na sua casa. O bicho, que deixou de ser só problema do interior, multiplicou 250% os acidentes em dez anos nas periferias das grandes cidades.
A fêmea do Tityus serrulatus, espécie mais comum, põe até 25 filhotes de cada vez e consegue duas ninhadas por ano. Se você encontrou um filhote no corredor, é sinal de que a família inteira está por perto. As carapaças transparentes que eles trocam ao crescer costumam grudar em cantos úmidos, atrás de geladeira ou caixa de água.
O combo que atrai o animal é simples: água parada, comida fácil e esconderijo. Entulho no quintal, lixo acumulado, ralo sem tampa e frestas no rodapé viram hotel cinco estrelas. Baratas, principal prato do escorpião, indicam que o banquete está servido. Cães e gatos costumam farejar o bicho antes da gente; se o pet late ou lateja para o mesmo canto, vale conferir.
Fechar a porta de entrada do bicho custa pouco. Vede ralos com tela fina, calafete buracos de parede e afaste berço e cama da parede. Mantenha o quintal limpo, sem pilha de tijolo ou folha seca. Antes de calçar o tênis que ficou na varanda, dê uma sacudida: escorpião adora se esconder dentro de sapato.
Se alguém for picado, lave o local com água e sabão e vá para a unidade de saúde. O SUS distribui gratuitamente o soro antiescorpiônico nos casos que o médico considerar necessário. O segredo é agir rápido: quanto antes o tratamento, menor o risco de complicação.