Paraisópolis, São Paulo quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Destaque

Dados revelam que 2,3 milhões de crianças não frequentam creches no Brasil

Antonio Cruz/Agência Brasil

Os estados com maior número de crianças sem vagas são: São Paulo (267 mil), Minas Gerais (217 mil), Pará (205 mil), Bahia (204 mil) e Maranhão (137 mil)

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foram divulgados pela organização Todos pela Educação (TPE). No Brasil, 2,3 milhões de crianças menores de 3 anos não frequentam creches por falta de acesso. As famílias desejam matricular seus filhos, mas enfrentam obstáculos como a distância das creches, a falta de vagas e até mesmo a recusa por causa da idade da criança.

A realidade é ainda mais dura para as famílias mais pobres. O percentual das que não conseguem vagas é quatro vezes maior do que entre as famílias mais ricas. O descaso com a primeira infância impede que milhares de crianças tenham acesso a um desenvolvimento pleno.

A meta do Plano Nacional de Educação de atender 50% das crianças de até 3 anos em creches até 2024 está longe de ser cumprida. Atualmente, apenas 40% frequentam creches, enquanto 40% não o fazem por opção dos pais ou outros motivos.

Entre as crianças que não frequentam creches, 20% das famílias gostariam de matricular seus filhos, mas não conseguem. Os principais motivos são:

  • Recusa por causa da idade: Cerca de metade das famílias que não conseguem vaga enfrenta essa recusa. Algumas creches só aceitam crianças a partir dos 2 anos, privando-as de um desenvolvimento crucial nos primeiros anos de vida.
  • Falta de vagas: Um quarto das famílias relata a falta de vagas como principal obstáculo. A oferta insuficiente de creches limita as oportunidades de educação e cuidado para as crianças.
  • Distância e falta de acessibilidade: Outro quarto das famílias não consegue matricular seus filhos por causa da distância das creches ou da falta de acessibilidade. A localização inadequada das creches impede que muitas famílias utilizem o serviço.

A falta de acesso à educação infantil tem consequências graves:

  • Prejuízo no desenvolvimento: A educação nos primeiros anos de vida é crucial para o desenvolvimento social, emocional e cognitivo das crianças. A falta de acesso a creches priva-as de oportunidades essenciais para o seu futuro.
  • Desigualdade social: A dificuldade de acesso à educação infantil perpetua a desigualdade social. As famílias mais pobres são as mais impactadas, aprofundando a disparidade de oportunidades.
  • Sobrecarga nas famílias: As creches são um importante suporte para as famílias, principalmente para as mães que precisam trabalhar. A falta de vagas sobrecarrega as famílias, limitando suas oportunidades de trabalho e desenvolvimento pessoal.

Quatro estados concentram a maior demanda: Acre (48%), Roraima (38%), Pará (35%) e Piauí (33%). Já os estados com  maior número de crianças sem vagas são: São Paulo (267 mil), Minas Gerais (217 mil), Pará (205 mil), Bahia (204 mil) e Maranhão (137 mil).

É urgente que o Estado brasileiro priorize a primeira infância e garanta o acesso universal à educação infantil. Ampliar a oferta de vagas em creches, reduzir a burocracia e investir em infraestrutura são medidas essenciais para construir um futuro mais justo e promissor para as crianças brasileiras.

O presidente Lula (PT), implementou no ano passado o Pacto Nacional pela Retomada de Obras da Educação Básica,  Isso visa concluir mais de 3,5 mil obras de escolas paralisadas ou inacabadas em todo o país até 2026, com um investimento previsto de quase R$ 4 bilhões.

Já em março deste ano o governo anunciou a alocação de R$ 4,1 bilhões para a construção de 1.178 creches e escolas de educação infantil em todo o país. Os recursos são do Novo Programa de Aceleração do Crescimento.

Como você se sente sobre isso?
ESCRITO POR

Aline Almeida

Formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Repórter do Espaço do Povo e Correspondente local do Grajaú (SP) na Agência Mural de Jornalismo das Periferias.

Ver todos os artigos de Aline Almeida →