Valéria Almeida, aos 42 anos, transformou o gritão “Vem ser feliz”, marca registrada nas transmissões do Carnaval paulista pela TV Globo, em filosofia de vida. A apresentadora, que também divide a bancada do Encontro com a Poeta em certas ocasiões, carrega orgulho declarado de suas raízes santistas.
“Nasci e cresci em bairro de periferia”, resume ela, em entrevista ao canal da IstoÉ no YouTube. Filha de funcionária dos Correios e ensacador no Porto de Santos, Valéria descreve uma infância simples, porém abrigada em laços fortes. A virada dolorosa veio cedo: aos 10 anos, perdeu a mãe para complicações do lúpus. “Meu pai era viúvo aos 34, com dois filhos. Fomos criados pelos avós maternos”, lembra. “Tive a sorte de uma família que me deu base de afeto e visão de mundo.”
A vocação jornalística brotou daí. Crescer vendo o próprio bairro estampado apenas nas páginas policiais motivou-a a mudar o retrato. “Conhecia gente incrível ali, com histórias lindas. Via a Glória Maria e a Fátima Bernardes pelo mundo e pensava: ‘É isso. Quero estar no mundo, conhecer culturas diferentes'”, relembra.
A chance veio pelo Profissão Repórter, de Caco Barcelos. “Ele buscava vídeo-jornalistas para viajar com câmera na mão. Vim do fotojornalismo, então me encaixei nessa história”, explicou à Veja São Paulo. Da produção de campo passou a roteiros, assinou a série da Karol Conká no Globoplay e o documentário Falas Femininas, até chegar à frente das câmeras no Falas Negras. Hoje, comanda com energia total a cobertura do Carnaval e participações no Encontro.