Hélio Santos, 88 anos, viu de perto o Brasil virar as costas para os jovens negros. Foi ele quem, nos anos 90, teve a ideia de reservar vagas nas universidades para pessoas pretas e pardas. Hoje, com mais de 180 mil beneficiários, a medida ainda é atacada.
“O racismo é sistêmico. Ele não dá trégua”, alerta o educador. Segundo ele, as cotas foram um jeito de reparar o tempo em que os negros nem podiam estudar. Mesmo assim, a cada ano surgem ações para acabar com elas.
Santos lembra que, antes das cotas, só 2% dos negros no Brasil chegavam à universidade. Hoje são 20%. “Não é um favor. É direito”, diz. Para ele, a luta contra o racismo precisa ir além da escola: envolve moradia, saúde e trabalho decente.