A inteligência artificial começa a reconfigurar a ação política no Brasil. A ferramenta permite criar vídeos sintéticos, simular pronunciamentos e amplificar conteúdo sem intervenção humana direta. O avanço abre espaço para novas formas de persuasão, mas também para riscos à democracia.
Um dos exemplos mais visíveis é a “tecnonecromancia eleitoral”. Uma liderança pode continuar aparecendo, falando e mobilizando apoiadores mesmo quando já não está disponível para participar da disputa. A prática levanta questões sobre autenticidade, consentimento e transparência.
O Tribunal Superior Eleitoral já definiu regras para as eleições de 2026. A Resolução nº 23.755 proíbe deepfakes na propaganda eleitoral e obriga a rotulagem de conteúdos gerados por IA. A norma também prevê responsabilização para candidatos e partidos que usarem a tecnologia de forma enganosa.
Especialistas defendem que a fiscalização precisa ser acompanhada de educação digital. O eleitorado deve saber identificar conteúdos sintéticos e entender como a IA pode ser usada para manipular opiniões. A discussão sobre limites e transparência tende a crescer até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro.