Paraisópolis, São Paulo quinta-feira, 3 de setembro de 2026
✍️ OPINIÃO Este é um artigo de opinião. As ideias expressas são de responsabilidade do autor.

Tecnologia para o bem

judith
🎤 Convidado
💚 Colaborador Voluntário

Judith Brito

É mãe, avó e executiva do Grupo Folha e do Grupo UOL.

📅 19 dez 2022 ⏱️ 3 min de leitura

Em assuntos digitais, sou a “Dona Maria da piada”: quando tenho algum problema em meu computador e ligo para a central de apoio de uma das empresas onde trabalho, se o atendente me pedir para abrir uma janela, sou bem capaz de me levantar e… abrir a janela da sala.

Mesmo assim, há décadas convivo rotineiramente no trabalho com milhares de nerds brilhantes, daqueles que nasceram sabendo teclar e se comunicar no complexo dialeto tecnológico. Em tempo: uso a palavra nerd sempre no bom sentido, para designar esses meninos sabidos e competentes, de quem sou fã.

Cada vez mais, estão por cima da carne seca! O mundo profissional valoriza essa moçada, seja pelo que fazem em grandes corporações – digitalizando e acelerando rotinas antes manuais ou processadas em máquinas mastodônticas – seja pelo que criam em startups com valor multiplicado muitas vezes pelo mercado.

Fala-se que no Brasil faltam pelo menos 700 mil profissionais de tecnologia da informação, razão pela qual são muito disputados. Com a prevalência do modelo de trabalho em home-office, amplificada durante a pandemia da Covid, a competição se tornou global: é possível trabalhar a partir de qualquer ponto do país e fornecer serviços para empresas em qualquer lugar do mundo. E recebendo em dólar!

Acredito que investir na formação em tecnologia pode ser uma das formas de reduzir a enorme desigualdade social no Brasil.  Por isso, num sábado de junho, experimentei um daqueles momentos que fazem a vida valer a pena: o lançamento, na Favela de Paraisópolis, em São Paulo, do G10Tech – projeto que visa capacitar jovens em condições de vulnerabilidade para se integrarem no mercado de tecnologia.

Minha satisfação foi ainda maior pelo fato de ser esse o coroamento de uma história na qual pude ter uma pequena, mas gratificante, participação. Tudo começou há alguns anos, quando conheci o jovem casal (Igor Couto e Aline Froes) criador do Vai na Web (www.vainaweb.com.br), que promove a capacitação digital de jovens, inicialmente atuando em favelas cariocas (hoje em diversos pontos do país) em linguagens tecnológicas. Encantei-me com o projeto e com seus incríveis criadores.

Outra história: no começo da pandemia, para viabilizar a ajuda das empresas onde trabalho (incluindo o Grupo UOL/ PagSeguro) a comunidades vulneráveis, através de ONGs, conheci o G10 Favelas, liderada por Gílson Rodrigues, de quem me tornei fã de carteirinha.

Foi só juntar as três pontas: o Grupo UOL/ PagSeguro (que precisa de profissionais qualificados em tecnologia), os líderes do Vai na Web e os do G10 Favelas. Pronto, nasceu um projeto que já é um sucesso. Gestores do PagSeguro PagBank desenvolveram, junto com o Vai na Web, um programa pedagógico sob medida para as suas necessidades. O evento que mencionei antes foi o pontapé inicial do polo tecnológico ao qual certamente se juntarão muitas outras empresas.

São muitos os jovens Brasil afora com criatividade e vontade de trabalhar. Ouvir os depoimentos dos meninos e meninas da turma que inicia o projeto é perceber como aprender tecnologia pode empoderar os profissionais das favelas para atuar no mundo, gerar oportunidades para os menos favorecidos e excluídos, e ajudar a reduzir as desigualdades sociais. No mercado da tecnologia, essa desigualdade se acentua principalmente em se tratando de mulheres e negros. É muito bom ver essa iniciativa crescer e dar frutos!

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Este artigo foi escrito por um colaborador voluntário

O Espaço do Povo existe há mais de 18 anos graças ao trabalho voluntário de pessoas como Judith Brito, que dedicam seu tempo para dar voz às periferias brasileiras. Cada texto publicado fortalece nossa comunidade.

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