Paraisópolis, São Paulo quinta-feira, 3 de setembro de 2026
✍️ OPINIÃO Este é um artigo de opinião. As ideias expressas são de responsabilidade do autor.

Mulheres de sucesso

judith
🎤 Convidado
💚 Colaborador Voluntário

Judith Brito

É mãe, avó e executiva do Grupo Folha e do Grupo UOL.

📅 12 out 2023 ⏱️ 4 min de leitura

No livro “Meu caminho até a cadeira número 1”, Rachel Maia demonstra como é difícil para uma mulher negra e periférica, estudando sempre em escolas públicas, atingir posições corporativas de destaque. Ela venceu (foi CEO da Lacoste no Brasil e da unidade brasileira da Pandora), e reconhece a sorte que teve de poder contar com pais inspiradores, que mostraram a importância do esforço nos estudos, além do desenvolvimento de traços pessoais como coragem e sensibilidade.

É muito gratificante constatar, próximos a mim, exemplos de outras mulheres negras trilhando caminhos de sucesso. É o caso de Adriana Umbelino, Gerente Geral Financeira da empresa de serviços financeiros digitais PagBank (uma das empresas do Grupo UOL, onde trabalho).

Adriana resume aqui a sua história: “Sou a mais velha dos três filhos do seu Luiz Carlos e dona Edna. Esta foi a minha base, da qual me orgulho: pessoas humildes, que me ensinaram valores e princípios, apesar da vida sendo levada aos trancos e barrancos. 

Minha infância foi difícil, mas nem por isso triste: sempre fui falante e adorava brincadeiras. Lembro de minha paixão por coisas simples e deliciosas da vida, como bolinhos de chuva, churros e uvas. Também gostava de voleibol – esporte do coração – e de pular amarelinha nas ruas do bairro. O bullying era frequente, e acho que de certa forma o esporte me salvou.

Comecei a trabalhar cedo (cuidando do irmão mais novo, passando enceradeira na sala, entre outras tarefas), e aos 13 anos já era empregada doméstica na casa de uma professora de História. Gosto de filosofia, português e neurociência, e talvez devesse ter tentado ser cantora: adoro MPB, samba, blues e jazz. Ainda criança, costumava imitar cantoras com camisetas na cabeça. E espero cantar bem, porque minha família é obrigada a me ouvir diariamente, caprichando no repertório sob o chuveiro…

Após passar por diversas escolas públicas, acabei me graduando em gestão financeira. De fato, gosto da carreira e de poder conduzir times. Comecei como auxiliar em serviços de faturamento e cobrança e fui galgando cargos de coordenação até assumir a gerência financeira, com envolvimento na concepção e desenvolvimento de novos produtos financeiros, o que me permite usar a criatividade. Um dos meus focos é aperfeiçoar-me cada vez mais na gestão de pessoas – fundamental para qualquer corporação. Desafios não faltam, e os encaro como missões!

E como a vida não é só trabalho, tenho muito orgulho da família que construí ao lado de meu parceiro Flávio: tornei-me mãe do Guilherme e avó do Murilo, agora com 5 anos, além de tutora da gatinha Belly e da cadelinha Isa, que bagunçam toda a casa. Hobby? Correr – na vida e no esporte. Aos finais de semana faço treinos longos, e já concluí percursos de até 21 quilômetros em meias maratonas. E ainda quero enfrentar a Maratona de Boston, chacoalhando ao vento meus cabelos que mudo sempre, como camaleoa que sou.

Hoje me considero feliz e sortuda por minha trajetória, e por contar com redes de apoio, que são fundamentais na vida de qualquer pessoa: meus pais, que me ensinaram a andar de cabeça erguida e a ter força para seguir em frente; os principais amigos, que me aceitam sem julgamentos; meu marido-cúmplice e meu filho – esse, amor incondicional!

Tenho figuras inspiradoras como a executiva Rachel Maia, a apresentadora negra norte-americana Ophra Winfrey, uma das mulheres mais poderosas do planeta, e a guerreira Dandara dos Palmares, referência brasileira na resistência contra o sistema escravocrata no Brasil. Sonho com um mundo melhor e tento, de alguma forma, plantar por onde passo sementinhas de esforço, exemplo, humildade e gentileza. Quero provar a mim mesma que não vim ao mundo a passeio. Ubuntu!”

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Este artigo foi escrito por um colaborador voluntário

O Espaço do Povo existe há mais de 18 anos graças ao trabalho voluntário de pessoas como Judith Brito, que dedicam seu tempo para dar voz às periferias brasileiras. Cada texto publicado fortalece nossa comunidade.

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