No dia 6 de maio de 2021, a favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, foi palco de uma operação policial que resultou na morte de 28 pessoas. A operação, batizada de Exceptis, foi realizada pela Polícia Civil com o objetivo de combater o tráfico de drogas e o aliciamento de menores.
A ação policial foi duramente questionada por órgãos internacionais, incluindo a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, que apontaram evidências de execuções, tortura e invasões ilegais. Além disso, as investigações sobre as mortes foram arquivadas, com exceção de um caso em que os policiais são réus por homicídio e fraude processual.
A chacina do Jacarezinho é um exemplo de como a política de segurança pública no Rio de Janeiro é pautada pela letalidade. Segundo estudos, o estado realizou mais de 22 mil incursões policiais em 15 anos, mas o índice de eficiência é pequeno, alcançando apenas 1,5% do total. Isso significa que a maioria das operações policiais não resulta em prisões ou apreensões de drogas, mas sim em mortes e violência contra os moradores das favelas.
As famílias das vítimas da chacina do Jacarezinho continuam lutando por justiça e reparação. Elas buscam o reconhecimento judicial de que seus parentes foram executados durante a operação policial e exigem que o Estado seja responsabilizado por essas mortes. Além disso, as famílias também buscam uma indenização por danos morais e materiais causados pela operação.
A chacina do Jacarezinho é um lembrete de que a política de segurança pública no Rio de Janeiro precisa ser repensada. A letalidade e a violência não são soluções para o problema do crime e da violência nas favelas. Em vez disso, é necessário investir em políticas públicas que promovam a segurança e a justiça para todos, inclusive para os moradores das favelas.