Allyne Andrade assumiu em maio a direção executiva da fundação filantrópica Fundo Brasil com uma missão declarada: ajudar a repensar a luta por direitos humanos frente aos desafios que agravam a desigualdade social no país. Em entrevista à imprensa, a nova diretora executiva sustentou que os recursos precisam chegar aos povos tradicionais.
Carioca de Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, Allyne tem origem na política de cotas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A trajetória pessoal virou referência na própria agenda que ela quer imprimir à fundação: ampliação do acesso de grupos historicamente excluídos a políticas públicas e a financiamento de projetos.
Na entrevista, a diretora executiva listou entre os desafios atuais o aprofundamento da desigualdade social no país e a necessidade de fazer a filantropia dialogar com os territórios onde vivem os povos tradicionais. Para ela, doar dinheiro não basta se o recurso não chega à ponta, onde ficam as comunidades.
A entrada de Allyne marca uma mudança de perfil na liderança do Fundo Brasil. Pela primeira vez, uma mulher negra oriunda das periferias cariocas assume o comando da fundação, segundo relato da própria entrevista. A novidade sinaliza um reposicionamento da instituição frente às demandas do campo dos direitos humanos.