A Oxfam Brasil publicou nesta quarta-feira o relatório intitulado “Um Retrato das Desigualdades Brasileiras: Poder, Privilégio e a Captura da Democracia”. O documento afirma que a desigualdade de renda no Brasil aumenta devido à presença proporcionalmente maior de pessoas ricas na política. De acordo com a organização, quem acumula riqueza tende a criar leis e regulações que não favorecem a distribuição de recursos.
O estudo detalha que a concentração econômica sufoca a democracia ao dar às elites o poder de veto sobre políticas públicas e a capacidade de influenciar eleições. Os pesquisadores apontam que essa engrenagem no país é fruto de uma formação histórica com legado da escravidão e concentração fundiária. A Oxfam sustenta que as classes dominantes reorganizam seus privilégios em diferentes ciclos de modernização para preservar posições de comando.
Dados do Global Wealth Report 2026, elaborado pelo banco suíço UBS, colocam o Brasil na quarta posição mundial em desigualdade patrimonial. O país encerrou 2025 com cerca de 386 mil milionários em dólar, enquanto 69% da população adulta permanece na base da pirâmide, com patrimônio médio de até R$ 51 mil. O banco suíço registra a saída de quase 9 milhões de pessoas da linha da pobreza, mas afirma que a estrutura tributária brasileira penaliza a base em vez do topo.
A investigação da Oxfam identificou que os cargos decisórios no Judiciário e no Executivo são ocupados majoritariamente por homens brancos e ricos. A entidade critica a limitação de políticas de transferência de renda, que seriam insuficientes se os mecanismos fiscais que protegem os super-ricos forem mantidos. O relatório cita ainda que Big techs e Bets aproveitam a falta de regulamentação para maximizar ganhos e funcionar como ferramentas de extração econômica e controle social.
A análise global do estudo Resistindo ao Domínio dos Ricos, da Oxfam internacional, revela que a riqueza dos bilionários atingiu o recorde de US$ 18,3 trilhões no ano passado. O documento mostra que indivíduos super-ricos têm 4 mil vezes mais chance de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns. Paralelamente, o World Inequality Report 2026 indica que os 10% mais ricos do mundo ganham mais do que os outros 90% da população mundial.