Paraisópolis, São Paulo domingo, 16 de agosto de 2026
Cultura

As Marias de Belém do Pará estreia com oito atrizes veteranas no Sesc Ginástico

As atrizes Beth Mendes, Ítala Nandi, Yvonne Hoffman, Maria Pompeu, Mariah da Penha, Veluma Nunes, Joana Fomm e Hildegard Angel estreiam o espetáculo As Marias de Belém do Pará – Somos Todos Marias nesta sexta-feira, 14 de agosto. A apresentação acontece às 19h no Teatro Sesc Ginástico, localizado na Avenida Graça Aranha, 187, Centro, Rio de Janeiro. A peça permanece em cartaz até o dia 13 de setembro.

O diretor, autor e produtor Eduardo Barata escreveu o texto com Elaine Moreira. A trama se passa em um condomínio de Copacabana chamado Garalhufas, que funciona como um microcosmo de questões nacionais. A história apresenta a personagem dona Dilma e vizinhos chamados Jefferson, Temer e Cunha. O espetáculo dura 60 minutos e inclui elementos como a cerâmica marajoara, barcos de miriti e a procissão do Círio de Nazaré.

O elenco apresenta atrizes de diferentes gerações: Maria Pompeu tem 90 anos; Yvonne Hoffman e Joana Fomm têm 86; Ítala Nandi tem 84; Beth Mendes tem 77; Hildegard Angel tem 76; Veluma Nunes tem 73; e Mariah da Penha tem 66 anos. As artistas cantam e dançam músicas como Andança, de Eduardo Souto, a Ave Maria de Fafá de Belém e ritmos de Carimbó. Hildegard Angel afirma: “a peça é uma síntese do Brasil, de todas nós, Marias, que entoam cânticos, riem e choram no país, em uma proposta ampla, tocante e delicada.”

Beth Mendes interpreta a síndica do prédio e faz referências ao falecido Lúcio Mauro. Beth foi fundadora do PT, deputada federal entre 1983 e 1987 e deputada constituinte pelo PMDB de 1987 a 1991, acumulando mais de 40 filmes, séries e participações em obras como Beto Rockfeller. Ítala Nandi, que realizou o primeiro nu frontal do teatro brasileiro, dança no palco. Joana Fomm, conhecida pelo papel de Perpétua na novela Tieta de Aguinaldo Silva, faz participação breve.

Maria Pompeu retorna aos palcos após dez anos sem atuar e traz humor para refletir sobre a modernidade e o envelhecimento. Yvonne Hoffman, que estreou em Marat-Sade e atua na televisão desde 1967, integra o grupo. Hildegard Angel, jornalista e atriz que interpretou Beatriz na novela Selva de Pedra de Janete Clair, também participa da montagem. Veluma Nunes, ex-modelo de Zuzu Angel e pioneira do uso do black power nas passarelas, traz sua experiência em novelas como Gente Fina, Caras e Bocas e Sem lenço, sem documento, além do filme O testamento do Senhor Nepomuceno.

Mariah da Penha integra o elenco após trabalhos em Garota do momento (2024), Lima Barreto, Ao terceiro dia e Os suburbanos. A atriz também estreou em 2024 o documentário Guapi-Macacu, sobre saberes indígenas, africanos e rios da Baixada. No teatro, Mariah estreou em Dona Beija, da Rede Manchete, e participou de Helena e Olho por olho. Além das oito protagonistas, o espetáculo conta com a atuação de outros 26 artistas.

Eduardo Barata construiu a narrativa para declarar amor à Região Norte, baseando-se em sua trajetória familiar como neto de paraenses tanto por parte de mãe quanto de pai. O texto conecta a Ilha do Marajó ao cotidiano do Rio de Janeiro, utilizando a religiosidade popular e a cultura amazônica como base para as memórias reais das atrizes.

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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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