Alunas do ensino médio de uma escola pública de Fortaleza colecionaram 13 medalhas em olimpíadas de ciências nos últimos dois anos. As conquistas abrangem as áreas de matemática, física, robótica e astronomia, tanto em competições nacionais quanto internacionais.
As jovens contam que o circuito de competições transformou a rotina escolar. “Antes eu mal falava com a sala, hoje apresento trabalho para gente de fora do Brasil”, diz a estudante Ana Beatriz, 16, medalhista de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas.
A preparação acontece em sala depois das aulas regulares. Professores montam listas extras, simulados aos sábados e treinos on-line com voluntários de universidades federais. A escola mantém parceria com o Instituto de Matemática da Universidade Federal do Ceará, que cede laboratório e bolsas de estudo de verão para as medalhistas.
O desempenho rendeu convites para cursos de verão em Portugal e Chile, além de bolsas de 50% em cursinhos pré-vestibulares da cidade. “Minha mãe vende salgado. Sem a bolsa, não teria como pagar”, conta a estudante Júlia Carvalho, que conquistou prata na Olimpíada Ibero-americana de Física.
Coordenadora pedagógica Eliane Paiva afirma que o diferencial é o trabalho de base começar já no sexto ano. “A gente identifica meninas com facilidade para números e criamos grupo de estudo só delas. Isso evita que desistam quando chegam ao ensino médio.”
Para a secretária municipal de Educação, as medalhas são prova de que investir em ciência nas periferias funciona. O orçamento anual para o programa de olimpíadas chega a R$ 240 mil, incluindo transporte, material didático e alimentação nos finais de semana de treino.