A Organização Mundial da Saúde (OMS) não mandou recado, mandou um ultimato. Esqueça a ideia de que “o que não mata, engorda”. Bacon, salsicha, presunto e linguiça acabam de entrar para o Grupo 1 de classificação de risco. Traduzindo o tecniquês: agora eles dividem a mesma cela que o tabaco e o amianto. Não é mais suspeita. É certeza científica.
O problema não é a carne em si, é a engenharia química por trás dela. Para que aquele presunto dure meses na prateleira do mercado sem estragar, a indústria inunda o produto com nitritos e conservantes. No processo de cura e defumação, essa mistura vira um gatilho para o câncer em humanos. O estudo é brutal nos números: 50 gramas por dia. Duas fatias finas ou uma única salsicha no dogão já são suficientes para disparar a probabilidade de tumores no intestino.
A matemática do prejuízo
Sabemos exatamente como a banda toca no território. O ultraprocessado chega na gôndola custando metade do preço do quilo da carne fresca ou do frango limpo. É uma armadilha econômica desenhada para pegar quem conta moeda. Parece vantagem no caixa do mercado hoje, mas é um empréstimo com juros abusivos que será cobrado na saúde amanhã. O câncer colorretal não escolhe CEP, mas a prevenção exige acesso.
A OMS esclarece que fumar ainda é mais letal em escala imediata, mas o perigo da carne processada está na camuflagem. O cigarro todo mundo sabe que mata. A salsicha tem cara de almoço, de lanche da tarde, de praticidade. Essa é a virada de chave que precisamos entender. A indústria vende conveniência e entrega risco. Carne vermelha fresca (boi e porco) entrou no grupo de “risco provável”, mas os embutidos são os vilões confirmados.
Não é para criar pânico generalizado nem demonizar o churrasco de domingo. É sobre rotina. A melhor estratégia de segurança alimentar volta a ser a mais antiga de todas: desembalar menos pacotes e descascar mais alimentos. Comida de verdade não tem código de barras complexo.