Vice-presidente e candidato à reeleição na chapa de Lula tem agenda nesta quinta-feira (8) na comunidade de Paraisópolis a poucos minutos do Palácio dos Bandeirantes, onde governou São Paulo entre 2001 e 2006 e de 2011 a 2018
Poucos endereços da capital resumem a desigualdade paulistana como os dois lados do mesmo muro na zona sul, de um lado, o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual no Morumbi, do outro, Paraisópolis, a segunda maior favela da cidade. Nesta quinta-feira (8), o homem que despachou no palácio por quatro mandatos, Geraldo Alckmin ,volta ao bairro como vice-presidente da República e candidato à reeleição na chapa de Lula. O ponto de encontro é o balcão da Mercearia e Padaria LRJ, na Rua Itamotinga, 95, a partir das 10h.
Um político de balcão de padaria
O cafezinho no balcão, longe do palanque, é marca registrada da trajetória de Alckmin, e voltou a ser estratégia nesta campanha, com a coordenação de Lula ampliando a exposição do vice para disputar o eleitor de centro. Não é a primeira vez que ele desembarca aqui, Alckmin esteve em Paraisópolis dezenas de vezes enquanto governador, candidato ou mesmo sem ocupar cargos públicos.
A escolha do endereço também conversa com a biografia da família. À frente do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (2001–2006 e 2011–2018), Lu Alckmin concentrou a atuação em qualificação profissional e geração de renda, com o projeto Padaria Artesanal como carro-chefe, mais de 9 mil unidades implantadas no estado e cerca de 20 mil pessoas capacitadas em panificação, segundo balanços do próprio Fundo Social. Como segunda-dama, Lu levou o modelo a outras regiões do país, operando por agentes multiplicadores e sem repasse de verba pública.
Em Paraisópolis, qualificação profissional e geração de renda seguem no topo das demandas de um território com forte base empreendedora. O balcão da mercearia em Paraisópolis, nesse sentido, é um local bem escolhido.
A pauta que espera o vice-presidente
Paraisópolis chega aos 105 anos, a ocupação começou com o loteamento aberto em 1921, em meio ao maior ciclo de investimento público de sua história. Desde que a Lei Municipal nº 18.175/2024 incluiu o Complexo Paraisópolis no perímetro ampliado da Operação Urbana Consorciada Faria Lima, os recursos gerados pela valorização imobiliária da região mais cara da cidade passaram a fazer parte do planejamento para financiar obras do outro lado do muro, a Prefeitura lançou em agosto o edital do Programa Nova Paraisópolis, com valor estimado em R$ 2,33 bilhões para infraestrutura, habitação, saneamento, mobilidade e equipamentos públicos.
Dinheiro anunciado, edital lançado, mas, a lista de reivindicações locais vai além do que já está previsto nesta licitação.
A reivindicação mais antiga é o hospital. Paraisópolis é atendida por três Unidades Básicas de Saúde, um CAPS III Adulto, CAPS AD e uma AMA, mas segue sem equipamento hospitalar próprio para uma população estimada em cerca de 100 mil pessoas. Em 2020, a comunidade chegou a depender de ambulâncias mantidas por patrocínio privado. A construção de um hospital no território depende de articulação entre município, estado e União, e é aí que o visitante pode ser cobrado não como ex-governador, mas como vice-presidente em exercício.
A segunda frente é a da economia criativa e da tecnologia. A comunidade produz música, audiovisual, dança e design em escala, mas sem rede pública de equipamentos à altura: a demanda é por estúdios e centros de produção audiovisual, laboratórios de robótica e programação para crianças e jovens, e espaços de formação que transformem talento em renda dentro do próprio território, não em estágio do outro lado da cidade.
A terceira é o cuidado com as mulheres. Mães, chefes de família e empreendedoras sustentam boa parte da economia local e demandam vagas de creches em horário integral, atenção à saúde da mulher, acolhimento a vítimas de violência e apoio à geração de renda.
Somam-se a elas as pautas de urbanização e lazer que atravessam décadas, para além das previstas na licitação lançada em agosto.
A expectativa é contato direto, café com moradores e comerciantes, caminhada e declarações sobre emprego e renda, eixo que a chapa Lula-Alckmin tem explorado para falar ao eleitor de centro, apoiada na experiência administrativa do vice.
SERVIÇO
O quê: visita do vice-presidente Geraldo Alckmin
Quando: quinta-feira, 8 de outubro, a partir da manhã
Onde: Mercearia e Padaria LRJ — Rua Itamotinga, 95, Paraisópolis (zona sul de São Paulo)
Agenda sujeita a alteração pela campanha.