Paraisópolis, São Paulo segunda-feira, 9 de março de 2026
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8 de março: memória, luta e desafios das mulheres

💚 Colaborador Voluntário

Carol Barranquera

📅 08 mar 2026 ⏱️ 3 min de leitura

O mês de março é reconhecido como o mês das mulheres, especialmente o dia 8 de março, quando se celebra o Dia Internacional da Mulher. No entanto, essa data não surgiu de comemorações, mas de lutas sociais travadas por mulheres que reivindicavam condições dignas de trabalho e de existência na sociedade.

No início do século XX, operárias na Europa e nos Estados Unidos passaram a se organizar para denunciar jornadas exaustivas, baixos salários e a falta de direitos. Essas mulheres lutavam por melhores condições de trabalho, respeito e igualdade entre homens e mulheres.

Em 1917, mulheres russas protagonizaram uma grande greve com o lema “pão e paz”, protestando contra a fome e os impactos da guerra. A mobilização teve impacto decisivo nas transformações políticas do país e se tornou um símbolo da força da luta feminina. Tragédias também marcaram esse período, como o incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist, em Nova York, que matou 146 trabalhadores a maioria mulheres e evidenciou a exploração e a falta de segurança enfrentadas pelas operárias.

Décadas depois, em 1975, a ONU oficializou o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher. Contudo, chegar até esse reconhecimento foi resultado de lutas árduas, muitas vezes marcadas pela violência e pela morte de mulheres que enfrentaram sistemas injustos para garantir direitos às gerações futuras.

Mesmo com avanços importantes, a realidade atual ainda revela desafios preocupantes. No Brasil, os dados sobre violência contra a mulher continuam alarmantes, especialmente em relação à violência sexual. Muitas vítimas são mulheres, adolescentes e crianças que, muitas vezes, sofrem abusos dentro do próprio ambiente familiar um espaço que deveria ser de proteção.

Por outro lado, o país conquistou importantes avanços legislativos na proteção das mulheres, como a Lei Maria da Penha, que criou mecanismos de proteção às vítimas de violência doméstica, incluindo a possibilidade de medidas protetivas de urgência, e a Lei do Feminicídio, que tipificou o homicídio cometido contra mulheres por razões de gênero.

Apesar desses avanços, as leis, por si só, não são suficientes. É fundamental investir em educação e transformação social, criando ambientes onde os corpos femininos sejam respeitados, protegidos e acolhidos. A segurança pública é uma aliada nesse processo, mas ela não se resume apenas à presença policial nas ruas. Ela também envolve prevenção, educação, acesso à cultura, lazer e oportunidades, especialmente em regiões periféricas, fortalecendo valores de respeito, dignidade e igualdade.

Outro ponto importante diz respeito aos espaços de liderança ocupados por mulheres. Na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por exemplo, as mulheres já representam a maioria da advocacia, somando cerca de 51% dos profissionais. Ainda assim, quando se trata de cargos de liderança, elas continuam sendo minoria. Apenas em 2022 a instituição teve sua primeira mulher presidente, um marco histórico que representa um avanço significativo, mas que ainda demonstra o longo caminho que precisa ser percorrido.

Dessa forma, o 8 de março não é apenas uma data simbólica no calendário. Ele representa a memória das mulheres que lutaram antes de nós, o reconhecimento das conquistas alcançadas e, principalmente, o compromisso contínuo de construir uma sociedade mais justa, segura e igualitária para todas.

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Este artigo foi escrito por um colaborador voluntário

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