A Netflix ficou mais cara no mesmo dia em que os números de audiência mostraram o YouTube com muito mais tempo de tela.
A Netflix aumentou os três planos no Brasil nesta quinta (15). O com anúncios foi de R$ 20,90 para R$ 25,90, alta de 23,9%. O Padrão passou a R$ 51,90. O Premium, com 4K e até quatro telas, chegou a R$ 71,90. No ano, o plano mais caro custa R$ 862,80 se for pago nos doze meses.
O reajuste ajuda a ler a audiência. Em setembro, pelo Ibope, o YouTube ficou com 22,2% do consumo de vídeo em 15 regiões metropolitanas. A Netflix, mesmo em alta, ficou em 6,1%. O TikTok, também grátis, chegou a 5,5%. Somados, os dois aplicativos gratuitos ocupam bem mais tempo do que o maior streaming pago do país.
O que o YouTube na periferia resolve
Assinar um serviço não é o mesmo que poder usar. Na periferia, a conta costuma incluir chip, transporte e mais de uma tela dividida na casa. Um plano de R$ 25,90 com anúncio já compete com outras contas. Empilhar Netflix, Prime, Disney+, Max e Globoplay vira outra renda.
O YouTube na periferia entra por outra porta. Abre no celular, não exige cartão e aceita o vídeo de quem mora no lugar. Comentário, corte e compartilhamento no WhatsApp fazem parte do programa, não de um extra. É por isso que produtoras e criadores de favela tratam a plataforma como praça, não só como vitrine. O mercado audiovisual das comunidades já vinha ocupando esse espaço antes de a Nielsen cravar o YouTube como líder da TV americana.
Há um porém, e ele também é de dinheiro. Grátis para quem assiste não significa grátis para quem produz. Anúncio, direito autoral e alcance dependem de regras que o criador não controla. O tempo de tela migrar para o YouTube não transfere, sozinho, a verba da TV aberta para o canal da quebrada.
Preferida não é a mais assistida
Um estudo de tracking nas favelas, que o Espaço do Povo já repercutiu, colocou a Netflix à frente em lembrança e preferência de marca. Isso não contradiz o Ibope. Uma coisa é a plataforma que a pessoa cita quando pergunta é “qual streaming você prefere”. Outra é onde os minutos foram gastos no mês.
A TV aberta continua com a maior fatia do vídeo no Brasil: 54% em setembro, mesmo depois da maior queda mensal do ano. Novela, jornal e jogo ainda seguram a sala. O que mudou é a segunda tela, e muita gente não paga para ter a terceira.
Quem for decidir o que cortar da fatura neste mês tem um dado simples. O vídeo que mais ocupa o tempo medido no país não está na assinatura que acabou de subir.