Nos EUA, o YouTube ocupa o dobro do tempo de TV da Netflix. No Brasil, a distância é ainda maior, mas a TV aberta segue na frente.
Não é a Netflix. Também não é a Disney. O YouTube lidera o streaming na televisão dos Estados Unidos, segundo o The Gauge, da Nielsen. Em julho de 2026, a plataforma ficou com 14,2% de todo o tempo de TV do país, o maior índice já registrado para o app principal. A Netflix, segunda colocada na repercussão do relatório, ficou em 7,8%.
O dado pede cuidado. Esses 14,2% não significam que essa parcela dos americanos “escolhe o YouTube como plataforma principal”. É participação no tempo em que a televisão ficou ligada. O streaming, somando todos os serviços, chegou a 49% desse tempo. A TV aberta ficou com 19,5% e a TV por assinatura, com 18,7%. O YouTube TV, que transmite canais ao vivo, não entra na conta do app principal.
A medição cobre quatro semanas, de 29 de junho a 26 de julho, e foi divulgada pela Nielsen em setembro. O mês ainda carregava o fim da Copa do Mundo. Mesmo com o esporte puxando a TV tradicional, o YouTube cresceu 6% em relação a junho.
No Brasil, o YouTube também lidera o vídeo online
Aqui a comparação mais próxima veio do Ibope, repercutido nesta quinta (15) pelo NaTelinha. A amostra cobre 15 regiões metropolitanas e junta TV, celular e computador.
Em setembro, o YouTube teve 22,2% do consumo de vídeo. Em agosto eram 21,7%. O recorde do ano foi em julho, 23,2%, também mês de Copa. A Netflix subiu de 5,5% para 6,1% e bateu o melhor índice de 2026. O TikTok foi a 5,5%.
O bloco inteiro de vídeo online avançou de 37,2% para 38,2%. A TV linear recuou na mesma proporção, para 61,8%. A TV aberta caiu de 55,5% para 54%, a maior queda mensal do segmento no ano. Globoplay ficou em 1,6%, Prime Video em 1,1%, Disney+ em 0,4% e Max em 0,3%.
| Estados Unidos, julho | Brasil, setembro | |
|---|---|---|
| O que se mede | Tempo na televisão | Tempo de vídeo em todas as telas, 15 regiões |
| YouTube | 14,2% | 22,2% |
| Netflix | 7,8% | 6,1% |
| Vídeo sob demanda / online | 49% da TV | 38,2% do vídeo |
| TV linear | Aberta 19,5% e cabo 18,7% | 61,8% |
A tabela não diz que o YouTube é “maior no Brasil do que nos EUA”. As bases são diferentes. O que ela mostra é a mesma ordem: no tempo de tela medido, o YouTube fica à frente da Netflix nos dois países. A diferença estrutural é outra. Nos EUA, o streaming já é quase metade da TV. No Brasil, a televisão linear ainda concentra a maior parte do vídeo.
Grátis, comentário e celular
Parte da vantagem não está no catálogo. O YouTube é gratuito para assistir e para publicar, tem comentário, curtida e compartilhamento, e abre em quase qualquer aparelho. Netflix e Disney+ dependem de assinatura e de conta da casa. Para quem divide o Wi-Fi, assiste no ônibus ou produz do próprio quarto, isso muda o hábito.
Marca preferida e tempo assistido também não são a mesma coisa. O Espaço do Povo já mostrou um estudo em que a Netflix lidera lembrança e preferência nas favelas. O Ibope, agora, mede outra pergunta: onde o tempo foi parar. As duas respostas podem conviver.
O reajuste da Netflix, anunciado nesta quinta, ajuda a explicar a disputa. O plano com anúncios passou de R$ 20,90 para R$ 25,90. O Premium foi a R$ 71,90. O vídeo grátis não ficou mais barato. A assinatura ficou mais cara.