Paraisópolis, São Paulo domingo, 8 de fevereiro de 2026
Como

Violência em casa é o maior inimigo das mulheres da favela, e a conta não fecha sem renda e escuta

Saiba mais: Violência doméstica lidera desafios das mulheres na favela

A pesquisa Sonhos da Favela 2026, do Data Favela em parceria com a Data Goal, não deixa espaço pra dúvida: 66% das mulheres que vivem em favelas apontam violência doméstica e feminicídio como o principal desafio do dia a dia. É mais que um número, é um grito estrutural, repetido em todas as regiões do país.

Na sequência, vem a trava econômica: 43% citam dificuldade de acesso a emprego e renda. Não é coincidência. Sem autonomia financeira, sair de situações abusivas vira luxo. Renda não resolve tudo, mas abre portas, e muitas vezes é a única chave pra quem vive sob ameaça.

No Rio, 3 em cada 10 entrevistados destacam a falta de apoio no cuidado com os filhos como obstáculo grave. Em São Paulo, o número sobe: 4 em cada 10 apontam a sobrecarga do cuidado como segundo maior desafio, logo atrás da violência. Mulheres seguem carregando sozinhas a manutenção da vida, e isso pesa na conta da desigualdade.

Na hora de priorizar políticas públicas, o recado é claro:

  • 62% pedem programas de inserção no mercado de trabalho, especialmente mães solo;
  • 44% querem campanhas de educação contra o machismo;
  • 43% cobram mais delegacias e atendimento 24h para vítimas;
  • 39% destacam saúde da mulher como urgência.

Cléo Santana, copresidente do Data Favela, sintetiza: “Garantir inserção digna no mercado é dar às mulheres a chave pra romper ciclos de abuso e protagonizar suas histórias.”

E tem raça nessa equação: 82% dos entrevistados são negros. Metade diz que a cor da pele limita oportunidades, principalmente no trabalho. Só 30% têm carteira assinada; 6 em cada 10 não contam com renda fixa. Pra enfrentar isso, 40% pedem programas de emprego voltados à população negra.

Violência contra a mulher não é caso isolado. É sintoma de um sistema que normaliza o machismo, nega renda e sobrecarrega corpos pretos e periféricos. Combater isso exige mais que discurso: exige emprego com direitos, escuta real das comunidades e educação que desconstrua a violência antes que ela vire rotina.

Sonhar em 2026 é direito. Mas sonho não vira realidade sem segurança pra existir e renda pra decidir.

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Redação Espaço do Povo
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Redação Espaço do Povo

Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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