Paraisópolis, São Paulo quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
Gideão Idelfonso

Viciados em ficções

Crédito: Nelson Almeida
Crédito: Nelson Almeida

O mundo assistiu no mês passado os impactos do “chilique” dado por parte de bolsonaristas radicais, que invadiram as sedes institucionais de poder em Brasília.

O ataque nervoso nacionalista que, com arma em uma mão e na outra tradição, desafiaram as instituições constituídas ao pedirem em cartazes e voz alta o fim da democracia e volta da ditadura. 

Uma parte dos bolsonaristas, os mais radicais, na tentativa de não generalizar, criaram em sua mente um teatro e fantasiam todos os dias cenários hipotéticos que o “comunismo” está logo ali na esquina e, que por isso, devemos entregar o país nas mãos dos militares, antes que nossos filhos sejam levados a usar cores fora de gênero, antes que pautas como renda, raça, social, de orientação sexual sejam doutrinadas nas escolas, antes que fechem as igrejas. 

O inimigo foi criado como quando nos 21 anos de ditadura brasileira. Mas, na verdade, ele não existe, é uma fantasia criada e manipulada com o auxílio de um maquinário digital com objetivos políticos e de poder. Você nunca se perguntou? Tudo é culpa do outro, nenhum político se considera culpado mesmo tendo evidentes provas dos seus horrores, principalmente como ser político.

Todos nós, como atuantes políticos, temos responsabilidade com a nação. Ser a favor da ciência, ser contra ditaduras que, caso acontecesse, isolariam o Brasil do mundo é o mínimo que se espera de um cidadão racional e bem-intencionado. 

O que vemos atualmente? O contrário. A ilusão parece ser mais consoladora. O escritor Sérgio Vaz traz uma frase que resume a sensação de viver esse momento: “Há uma diferença entre o deficiente visual e aquele que não quer ver. O deficiente visual fica grato quando você o ajuda a olhar. O que não quer ver, fica bravo se você lhe mostrar aquilo que ele não consegue enxergar”.

Como você se sente sobre isso?
Gideão Idelfonso
ESCRITO POR

Gideão Idelfonso

Cria de Paraisópolis, bacharel em Lazer e Turismo pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Pesquisador com foco na periferia e sua dialética com o Lazer e Turismo. Teve contato com projetos de impacto social em Paraisópolis e em áreas da Zona Leste.

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