Mais de 70% das empresas brasileiras não possuem ações para manter trabalhadores acima dos 45 anos no quadro de funcionários. O dado está em levantamento da consultoria Action e da Abraçando a Sabedoria, que ouviu 1,2 mil organizações de todos os portes entre outubro e dezembro de 2025.
O estudo revela que 54% das companhias nem sequer planejam criar políticas de diversidade etária. Entre as que já tomam alguma iniciativa, apenas 10% oferecem programas de reconversão profissional e 8% têm metas de contratação para essa faixa etária.
Para quem vive na periferia, a exclusão começa antes. O trabalhador de 42 anos já sente o mercado esfriar. A construção civil, principal porta de entrada de moradores de favelas, reduziu 23% as admissões de pessoas entre 40 e 55 anos desde 2022, segundo o Caged.
Sem políticas de requalificação, a única saída muitas vezes é o empreendedorismo informal. Dona de casa há 15 anos, Neide Ferreira, 48, virou ambulante no Jardim Maria Sampaio, na zona sul de São Paulo, depois que a fábrica de embalagens onde trabalhava demitiu metade da equipe. Hoje fatura cerca de R$ 1.200 por mês vendendo produtos de limpeza porta a porta.
Empresas que mantêm programas voltados à experiência mostram resultados. A fintech paulistana Creditas reservou 15% das vagas de teleatendimento para profissionais acima de 45 anos. A taxa de rotatividade caiu de 38% para 19% em dois anos e o tempo de treinamento diminuiu pela metade, segundo dados internos da companhia.
O Ministério do Trabalho prepara uma campanha nacional para incentivar a recontratação de trabalhadores maduros. A expectativa é que 50 mil vagas sejam abertas até o fim de 2026 por meio de incentivo fiscal a empresas que aderirem ao Selo +Experiência, criado em parceria com o Sebrae.