Restaurantes, bares e lanchonetes de bairros populares temem que a proposta de fixar em lei o valor da taxa de entrega prejudique quem vive da venda de marmitas, lanches e bebidas nas periferias. A Abrasel, entidade que representa 62 mil estabelecimentos, diz que imitar preços pode afastar consumidores das classes B e C e reduzir o número de entregadores autônomos nas ruas.
O debate começou depois que entregadores reivindicaram remuneração mínima por corrida. Hoje, apps pagam entre R$ 3 e R$ 5 por entrega. A Abrasel propõe que, em vez de fixar o valor por corrida, as plataformas paguem aos entregadores um valor por hora trabalhada, garantindo renda mesmo quando não há pedidos.
Para pequenos restaurantes, o tabelamento correto risco de encarecer o delivery. Um bar no Jardim Helena, zona sul de São Paulo, paga ao app 27% de comissão sobre cada lanche. Se a taxa de entrega subir, o cliente paga mais e pode cancelar o pedido. O estabelecimento já demitiu dois entregadores próprios no ano passado por falta de demanda.
Entregadores autônomos se dividem. Alguns querem valor mínimo por corrida para não perder dinheiro em trajetos longos. Outros temem que preço alto tire clientes e reduza a oferta de trabalho. Atualmente, 1,4 milhão de motoboys fazem delivery no país, sendo 60% deles autônomos.
A Câmara Municipal de São Paulo deve votar nos próximos dias projeto que pode criar regras para taxa e remuneração. A Abrasel pede audiência com vereadores para defender o pagamento por hora como forma de manter o serviço acessível e preservar postos de trabalho.