O rapper pernambucano Saga HC soltou ontem o EP Grito da Periferia, um manifesto sonoro que coloca no centro da discussão a vida nas favelas e periferias do país. São sete faixas inéditas, todas compostas por ele, que abordam racismo, falta de oportunidade e o orgulho de ser da quebrada.
A ideia nasceu durante os mutirões culturais que Saga organiza há quatro anos no bairro de Mangabeira, na zona norte do Recife. “Percebi que a galera queria ouvir algo que falasse a língua da nossa realidade, sem filtros”, conta o artista, de 31 anos. O EP foi gravado em um estúdio caseiro com a ajuda de amigos músicos e já acumula mais de 12 mil plays no SoundCloud em menos de 24 horas.
Além do lançamento digital, Saga vai levar o projeto às escolas públicas da região metropolitana do Recife. No mês que vem ele inicia um ciclo de oficinas de rimas e produção musical gratuitas para jovens de 12 a 20 anos. As inscrições serão abertas no Instagram @sagahc e as aulas acontecerão no Centro Cultural Mangabeira, espaço mantido pela prefeitura local.
O rapper também prepara uma turnê de cinco datas por comunidades do interior de Pernambuco. O primeiro show será no dia 15 de julho na Praça da Matriz de Carpina, município com 70 mil habitantes a 50 km da capital. A entrada é um quilo de alimento não perecível que será doado para as famílias em situação de insegurança alimentar mapeadas pelas igrejas locais.
Para Saga, a música é ferramenta de transformação. “Se um moleque ouvir a faixa ‘Vem da Quebrada’ e se sentir representado, já ganhamos o dia. O próximo passo é mostrar que ele pode sonhar grande sem abandonar a origem”, finaliza.