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Lula propõe quebra de sigilo de Janja e Lulinha e cobra de Flávio dados de offshore de Willer Tomaz

Presidente diz que entrega autorização ao TSE nesta terça (20) e desafia o adversário a fazer o mesmo. Documento inclui o CNPJ da Alcazar Holdings, empresa do advogado Willer Tomaz, e lista as empresas das quais o senador é sócio.

O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta segunda-feira (19) que vai entregar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico dele, da primeira-dama, Janja, e dos cinco filhos — inclusive Fábio Luís, o Lulinha. Em troca, cobra que Flávio Bolsonaro (PL) faça o mesmo e abra os dados dele, da mulher, dos pais e dos irmãos, além das empresas das quais é sócio.

O documento será entregue ao presidente do TSE nesta terça-feira (20), segundo a Folha de S.Paulo, antes das viagens previstas do presidente ao Maranhão e a Pernambuco. A ideia da campanha é que os dois candidatos apresentem os dados ao mesmo tempo: Lula entrega o próprio material caso o adversário concorde em dar transparência a extratos, declarações de imposto de renda, rendimentos, bens, dívidas e registros de chamadas de sua família e de suas empresas.

O que Lula promete abrir

A proposta libera os sigilos bancário, fiscal e telefônico de Lula e de seus familiares. A lista divulgada inclui a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, e os filhos Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, Sandro Luís Lula da Silva e Luís Claudio Lula da Silva.

O documento também deve registrar que Lula é sócio não administrador da LILS, empresa responsável pelas palestras do presidente, aberta em 2011. O petista afirma querer a divulgação das informações “a toda a sociedade brasileira”.

O que ele cobra de Flávio

Do outro lado, a proposta pede que Flávio autorize as mesmas quebras sobre ele, a mulher dele, Fernanda Bolsonaro, os pais, Jair Bolsonaro e Rogéria Bolsonaro, e os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro.

A equipe do presidente sustenta que o senador “é sócio, conforme dados públicos abertos, em diversas empresas no Brasil e movimenta expressivos recursos em contas offshore”. Entre as empresas citadas estão o escritório de advocacia, a All In One Corretora de Seguros Ltda., a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda. e a Bolsonaro Digital Ltda. — esta última com a família no quadro societário.

O documento inclui ainda o CNPJ da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual o advogado Willer Tomaz é sócio. Segundo a Folha, e-mails obtidos pela Polícia Federal indicam que o senador compartilhava uma conta no Santander com Tomaz, que é apontado como suspeito de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado a fraudes no INSS. Em maio de 2025, uma funcionária pediu ao banco que Flávio fosse desvinculado da conta ligada à empresa do advogado.

Em nota do início deste mês, a assessoria de comunicação do senador afirmou que Flávio “nunca manteve conta tendo como usuário master o sr. Willer Tomaz ou qualquer das empresas dele”. “Toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa”, diz o texto. Willer Tomaz também nega as acusações.

A origem do embate: o debate da Band

O anúncio desta segunda é o desdobramento do primeiro debate do segundo turno, realizado no domingo (18) pela Band. Na ocasião, Lula desafiou o adversário:

“Desafio você: amanhã, abrimos nossas contas bancárias e nossos sigilos telefônicos, para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão.”

Flávio respondeu que não tinha “absolutamente nada a esconder”, mas não confirmou se autorizaria a quebra do sigilo. Em seguida, acusou Lula, sem apresentar provas, de manter recursos fora de suas contas bancárias.

O confronto ocorreu depois que Flávio cobrou explicações sobre Lulinha, citado em investigações sobre irregularidades no INSS. Lula afirmou que o filho havia autorizado o acesso a seus dados bancários e telefônicos pela Polícia Federal. O presidente, por sua vez, questionou o adversário sobre a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, e sobre um pedido de R$ 134 milhões feito pelo senador para financiar um filme sobre o pai, Jair Bolsonaro.

“Abre o sigilo, Flávio”

Nesta segunda, antes de um ato de campanha em Porto Alegre, Lula repetiu o desafio e explicou por que incluiu os cinco filhos no documento:

“Fiz questão de colocar meus cinco filhos porque toda eleição se inventa uma coisa contra minha família e eu resolvi não ficar quieto. Essa é minha última disputa eleitoral e não posso deixar que um ladrão tente jogar minha biografia no lixo.”

Durante o ato, o presidente escreveu em um cartaz “abre o sigilo Flávio”. Também cobrou explicações sobre o patrimônio do adversário:

“Amanhã entregarei minha procuração para abrir sigilo dos meus filhos, meu e da minha mulher, e eu queria que ele abra o dele, do pai e dos irmãos dele. Eu quero saber onde estão os R$ 134 milhões do banco Master, quero saber como ele comprou casa de R$ 10 milhões à vista com salário que ele ganha igual ao meu.”

POR

Joildo Santos

Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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