Paraisópolis, São Paulo terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Baile

Promotoria pede que 12 PMs sejam levados a júri popular por morte de 9 jovens em baile de Paraisópolis

Promotoria pede que 12 PMs sejam levados a júri popular por morte de 9 jovens em baile de Paraisópolis
Familiares de jovens mortos durante baile funk em Paraisópolis se emocionam durante protesto; Promotoria pede que PMs sejam levados a júri - Allison Sales - 1.dez.24/Folhapress

Seis anos após a ação policial que resultou na morte de nove pessoas durante um baile funk em Paraisópolis, o Ministério Público de São Paulo solicitou à Justiça que 12 policiais militares sejam levados a júri popular. O pedido foi apresentado no sábado (31) pela Promotoria de Justiça do 1º Tribunal do Júri da Capital, nas alegações finais do processo, etapa que antecede a decisão sobre o envio ou não dos réus a julgamento. A promotoria já havia feito o mesmo pedido em 2021, quando apresentou a denúncia.

A defesa sustenta que os policiais não tiveram a intenção de causar mortes e que a confusão começou após uma perseguição a uma motocicleta com dois suspeitos, um dos quais teria atirado contra os agentes. Segundo essa versão, o confronto desencadeou o pânico que terminou com nove mortos e doze feridos.

Já a acusação afirma que os PMs cercaram as ruas e vielas próximas ao baile, lançaram bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral e dispararam balas de borracha contra a multidão. Imagens e depoimentos de testemunhas indicam que as saídas foram bloqueadas e que várias pessoas foram agredidas com chutes e golpes de objetos.

Para a promotoria, os policiais assumiram o risco de provocar as mortes, uma vez que os agentes envolvidos na perseguição inicial já estavam em segurança quando o tumulto teve início. O baile, realizado em dezembro de 2019, reunia cerca de cinco mil pessoas. As vítimas, jovens de 14 a 23 anos, moradores de diferentes periferias de São Paulo — tinham ido à comunidade para participar da festa

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Comunicador e colaborador do jornal Espaço do Povo, onde desde 2007 narra o cotidiano e as potências das favelas brasileiras.

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