A exposição Foto de Quebrada, projeto que nasceu em Ceilândia (DF), abre ao público no dia 14 de abril, às 10h30, no Museu das Favelas, em São Paulo, onde segue em cartaz até 26 de julho. A programação de estreia inclui uma roda de conversa com a curadoria do museu e representantes dos projetos Foto de Quebrada (DF) e Click na Favela (SP).
O encontro propõe um diálogo sobre processos criativos, trajetórias e vivências que atravessam a construção das narrativas visuais da mostra, conectando diferentes experiências de produção artística nas periferias brasileiras. Após a conversa, o público acompanha um set do DJ Pink Jay.
A exposição reúne 43 obras de artistas de periferias de várias regiões do país, selecionadas na última convocatória nacional do projeto. O conjunto forma um panorama diverso, construído a partir de olhares que emergem dos próprios territórios.
Para Gu da Cei, um dos curadores, a chegada ao Museu das Favelas representa um marco simbólico. “O Foto de Quebrada, ao ocupar esse espaço, reforça a potência de uma iniciativa que conecta experiências de favelas e comunidades urbanas em todo o Brasil, a partir de uma perspectiva construída no nosso território. É o reconhecimento de uma produção que nasce na quebrada e amplia seus diálogos em escala nacional.”
A curadoria também conta com Bruna Paz, Cled Pereira e Rosa Luz, além da curadoria institucional de Jairo Malta.
Mais do que uma exposição, Foto de Quebrada propõe uma mudança de olhar. As imagens tensionam estereótipos historicamente associados às periferias e revelam dimensões muitas vezes invisibilizadas do cotidiano — como afetos, memórias, espiritualidades, celebrações e também as contradições desses territórios.
O texto curatorial parte de uma provocação: como retratar a quebrada sem cair em clichês? A resposta se constrói nas próprias obras, que apresentam as periferias como espaços vivos, dinâmicos e produtores de cultura, onde tradição e inovação coexistem. As fotografias atuam como espelhos e janelas, refletindo vivências coletivas e abrindo novas possibilidades de leitura.
Inspirada no conceito de Sankofa — símbolo africano que propõe revisitar o passado para construir o futuro —, a exposição convida o público a mergulhar nas memórias e experiências dos artistas. O resultado é um conjunto de imagens que evocam pertencimento, alegria e esperança, ao mesmo tempo em que provocam reflexão.
Participam da exposição artistas de diversas partes do país, como Alonso Pafyeze (MG), Ana Julia Viaro (SP), Aquila (DF), Barnabé (SP), Diego Oliveira (GO), Eloiza Fernandes (SP), Ester Cruz (DF), Felipe Faria (SP), Flavia Taverna (SP), Gabriela Mendes (DF), Helen Salomão (BA), Henrique Janssen (DF), Igor Miranda (SP), Jhey Costa (SP), João Oliveira (SP), Kayo Magalhães (DF), Klewerson Lima (PA), Lara Lis (GO), Livia Brigido Nascimento (SP), Luan Henrique Gomes (SP), Medusa (PE), Monique Caciano da Silva (SP), Mylena Tiodósio (DF), Pandora (DF), Pedro Dutra (SC), RaH BXD (RJ), Rafael Cardoso (SP), Raflash (DF), Rayka Rocha (RR), Renato Moulin (ES), Rhuan Gonçalves (RJ), Sabrina Santiago (DF), Shall (RJ), Suljeira (PE), Suzana Vidal (SP), Thaiza (SP), Thiago Silva (SP), Virginia Dandara (MG), Visceral (RJ), Vitória Vieira (SP), Walter Mauro (BA), Webert da Cruz (DF) e Zahir (DF).
Criado em Ceilândia, o Foto de Quebrada já realizou três edições na Galeria Risofloras, um dos poucos espaços dedicados à arte na cidade, mantido pelo programa Jovem de Expressão, que atua há quase duas décadas no território. O projeto utiliza a fotografia como ferramenta de expressão das vivências periféricas, valorizando narrativas construídas por quem vive e produz nesses contextos.
Na edição mais recente, 30 artistas foram selecionados, com a distribuição de R$ 12 mil em prêmios. Desde 2020, o projeto já recebeu 1.325 inscrições, consolidando-se como uma importante plataforma de visibilidade para fotógrafos e fotógrafas das periferias brasileiras.
Serviço
Abertura com bate-papo: 14 de abril, às 10h30
Período expositivo: de 14 de abril a 26 de julho de 2026
Local: Museu das Favelas (Largo Páteo do Colégio, 148, Centro Histórico, São Paulo – SP)
Ingressos: gratuitos, com retirada na recepção ou pela Sympla
Funcionamento: terça a domingo, das 10h às 17h (permanência até 18h)