Saúde

Periferias enfrentam estigma na saúde mental e depressão

“pobre não pode se dar ao luxo de não sair da cama”

Andressa Duvique, de 21 anos, moradora de Guaianases, zona leste de São Paulo, conhece bem o peso duplo do estigma. Além de lidar com a depressão, ela enfrenta preconceitos específicos por viver na periferia, onde questões de saúde mental são frequentemente minimizadas ou incompreendidas.

O estigma duplo: pobreza e doença mental

Quando Andressa confessou a uma conhecida da igreja que estava com depressão, ouviu da mulher que sua condição era apenas “frescura” e que bastava orar para resolver o problema. Esta reação ilustra um problema mais amplo nas periferias brasileiras: a falta de compreensão sobre saúde mental combinada com a pressão econômica constante.

“Nas periferias existe uma pressão adicional”, explica Andressa. “As pessoas acham que quem é pobre não pode se dar ao luxo de ficar deprimido, que não temos tempo para isso porque precisamos trabalhar para sobreviver.” Esta mentalidade cria uma barreira extra para quem precisa de ajuda profissional.

Barreiras estruturais ao tratamento

Além do preconceito social, moradores das periferias enfrentam obstáculos práticos para acessar tratamento adequado para saúde mental. A falta de psicólogos e psiquiatras na rede pública, combinada com a impossibilidade de pagar tratamento particular, deixa muitas pessoas sem assistência.

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Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) existem, mas são insuficientes para a demanda. Muitas vezes, o tempo de espera para conseguir atendimento é tão longo que as pessoas desistem ou buscam alternativas inadequadas.

Impacto da violência e vulnerabilidade social

A depressão nas periferias tem características específicas, frequentemente agravada pela exposição constante à violência, desemprego, condições precárias de moradia e falta de perspectivas. Estes fatores ambientais intensificam os quadros depressivos e tornam o tratamento mais complexo.

Jovens como Andressa crescem em um ambiente onde o estresse é constante e as oportunidades limitadas, criando um terreno fértil para problemas de saúde mental. A falta de espaços de lazer e cultura também contribui para o isolamento e agravamento dos sintomas.

Estratégias de resistência e apoio comunitário

Apesar das dificuldades, comunidades periféricas desenvolvem estratégias próprias de apoio. Grupos de mulheres, coletivos culturais e organizações comunitárias criam redes de suporte que, mesmo sem formação específica, oferecem acolhimento e escuta.

Essas iniciativas demonstram a importância de políticas públicas de saúde mental que considerem as especificidades das periferias e invistam em capacitação comunitária e descentralização do atendimento.

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Joildo Santos

Joildo Santos

Jornalista e colaborador do Espaço do Povo.

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