Paraisópolis, São Paulo quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
Débora Pereira

Não será possível voltar ao “normal” depois dos impactos trazidos pela pandemia

Acredito que seja humanamente impossível, não sentir que de alguma forma a vida de todos nós mudou em algum nível.

As mudanças, como perda de emprego, aumentos dos preços de recursos básicos, lutos em massa, sensação de insegurança e medo constante, foram estopins para o adoecimento mental. Menciono a pandemia, para exemplificar que foi o que nos forçou a olhar para nós mesmos em níveis psíquicos e comportamentais. A gente se trancou em casa, os ambientes ficaram restritos, tivemos que nos auto observar, observar nossos gestos e sintomas incertos de gripe? Resfriado? Rinite?. Ficamos neuróticos, por tocar um objeto e ficar em dúvida se passou álcool em gel depois que o tocou. A gente teve que se perceber e distinguir, com mais frequência, o que estava sentindo e o que era só imaginação. O problema é que não estamos acostumados a observar as nossas próprias emoções, não fomos ensinados para isso. Em níveis sociais, somos incentivados a forjar sentimentos e sensações. Somos motivados a buscar uma felicidade infinita que não existe e, por isso, adoecemos.

Negar o sofrimento e os fatos, não muda a realidade, é aí que entra a necessidade de cuidar da saúde mental. A gente cuida da nossa mente para aprender a lidar com a nossa realidade e a ter clareza do que fazer para poder transformá-la. É preciso elaborar o agora para agir no depois e se, a sua mente não estiver saudável, o agir fica difícil e turvo, por isso, a sensação de sofrimento só aumenta.

Falar sobre saúde mental, sobre autoconhecimento e autocuidado, não são floreios para uma realidade ruim de aguentar e sim um caminho para obter a melhor decisão a ser tomada, com menos sofrimento.

Sendo assim, esqueça as fórmulas rápidas, os pensamentos mágicos, ou fantasiosos.

Quando se trata de bem estar mental, olhe para si com o olhar da realidade e da simplicidade de que talvez você não saiba o que fazer sozinho, de que talvez você precise de ajuda. Estudos, pesquisas e profissionais para isso, já existem. Tente não fazer parte da avalanche, mas se fizer, busque ajuda.

Como você se sente sobre isso?
Débora Pereira
ESCRITO POR

Débora Pereira

Psicóloga, psicoterapeuta, palestrante e desde 2021 atua como analista de RH no Emprega Comunidades de Paraisópolis.

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