Estamos em 2026 do século XXI e representamos a humanidade mais evoluída e moderna, porém vivemos problemas humanitários antigos, sem o vislumbre de alcançar uma solução. Não é angustiante saber que nossos antepassados vieram, se foram e que seus descendentes não conseguem enxergar uma forma de minimizar as mazelas humanas? É uma pergunta que fica sem resposta, talvez porque realmente não sabemos como, ou porque nos falte tempo, tá todo mundo sem tempo atualmente, é uma das nossas crises, mas e se for algo pior e o nosso motivo não passar de uma simples falta de interesse?
No nosso tempo moderno e altamente tecnológico vivemos as seguintes crises humanitárias:
- Conflitos armados e invasões territoriais
- Insegurança alimentar e fome
- Deslocamentos forçados e refugiados
- Tensões políticas
- Violência de gênero, física e sexual
- Aumento do adoecimento mental e taxa de suicídio alarmantes
Quando olhamos para estas questões, a dúvida é tanta que chegamos a pensar numa solução mágica para aniquilar de vez o que nos impede de ter um mundo minimamente humano e de forma “bem-humorada” desejamos um meteoro. Claro, essa é a solução! Um meteoro acabaria com tudo de uma vez, limparia toda essa sujeira e de quebra nos daria menos trabalho, afinal de contas merecemos, já estamos sofrendo muito, não custa nada um pedregulho chegar e arrebentar com tudo e todos, sem distinção alguma, numa dessas ninguém é diferente vai atingir todo mundo. Essa solução mágica seria um grande favor, um fim repentino, inconsciente e indolor. Um meteoro seria uma gentileza.
Mas será que essa solução mágica também não se trata de uma tentativa meio cínica de não nos responsabilizarmos pelos problemas que nós mesmos criamos? Parece óbvio, mas não é: os problemas humanitários são criados por seres humanos e nós passamos séculos tentando resolver aquilo que a gente começou, mas não resolvemos porque não temos interesse. Resolver significa acabar com o nosso teatrinho de sermos benevolentes combatentes contra o mal (externo), gostamos da idéia de sermos tão importantes quanto o arquétipo dos super heróis, que criamos, que passa a imagem de preocupação com a humanidade, mas que sai por aí destruindo tudo ao seu redor para aniquilar o seu inimigo pessoal, em busca de um reconhecimento que só fala de si mesmo e da própria vaidade, mesquinha e orgulhosa.
Suspeito que não seja do nosso interesse solucionar as mazelas humanas, pois se pararmos para pensar há de convir que não faltam recursos, tecnologias, inteligências, alimentos, leis ou território e é por isso, que vejo o quão necessário é o reconhecimento da nossa Sombra, para constatar o que a nossa Persona se esforça tanto para esconder: o nosso próprio mal projetado no outro. Talvez em algum momento, em algum século, em algum milênio, conseguiremos entender que o mal a ser combatido é o nosso, interno, que se chama egoísmo.
Pai, perdoai-nos, pois, por estarmos inconscientes, não sabemos o que estamos fazendo, mas não nos dê demasiada compaixão, pois precisamos nos responsabilizar pelos nossos próprios atos e interesses. Amém.